PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

"Já foi melhor": Macron fala sobre relação da França com o Brasil

26.ago.19 - Presidente da França, Emmanuel Macron, ao lado de Jair Bolsonaro na cúpula do G20 em 2019 - Jacques Witt/Pool/AFP
26.ago.19 - Presidente da França, Emmanuel Macron, ao lado de Jair Bolsonaro na cúpula do G20 em 2019 Imagem: Jacques Witt/Pool/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

30/10/2021 14h45Atualizada em 30/10/2021 22h16

Resumo da notícia

  • Em declarações exclusivas ao UOL, presidente da França pede mais ambição e cooperação para proteger Amazônia
  • Relação entre Paris e Brasília foi marcada por um mal-estar nos últimos dois anos; no domingo, chanceleres irão se reunir em Roma

O presidente da França, Emmanuel Macron, não esconde: a relação entre seu país e o Brasil já teve melhores dias. Em declarações exclusivas ao UOL, o chefe de estado francês insiste sobre a necessidade de ampliar a cooperação para a preservação da Amazônia e pede "mais ambição" em questões climáticas.

Antes mesmo de Jair Bolsonaro assumir a presidência, a troca de farpas entre Paris e Brasília começou. No final de 2018, em Buenos Aires, Macron alertou que sem um compromisso ambiental por parte do Brasil, não haveria um acordo comercial entre a UE e o Mercosul. Em 2019, o presidente brasileiro ofendeu a primeira-dama francesa, gerando indignação por parte do governo de Macron.

Em Brasília, Bolsonaro ainda esnobou o chefe da diplomacia francesa e cancelou, de última hora, um encontro. Naquele dia, ele optou por ir ao barbeiro fazer uma live, enquanto cortava o cabelo. Durante o G7 em Biarritz, ainda em 2019, Macron sugeriu abrir um debate sobre a responsabilidade internacional de se proteger a Amazônia e recebeu o cacique Raoní.

Neste fim de semana, durante o G20, o chanceler brasileiro Carlos França irá se reunir com seu homólogo francês, Jean Yves Le Drian. Mas Paris é um dos maiores obstáculos para que o acordo comercial entre Mercosul e Europa seja ratificado.

Antes de responder ao UOL sobre o estado da relação entre os dois países, Macron parou por seis segundos, num silêncio revelador. Eis os principais trechos da entrevista, concedida no sábado às margens da cúpula do G20 em Roma.

Chade - O que o senhor espera do Brasil para a proteção da Amazônia?

Macron - Acho que nós todos trabalhamos para reduzir o desmatamento. A França, na Guiana, trabalha nesse sentido e para preservar povos autóctones. O que queremos é ampliar a cooperação com todos os países da região para caminharmos nessa direção.

O Brasil está fazendo o suficiente?

Não vou culpar ou felicitar ninguém hoje. Acho que todos terão de ser mais eficientes para combater o desmatamento. Caso contrário, mataremos a biodiversidade e, acima de tudo, nossa capacidade de lutar contra emissões de CO2.

Para mim, vamos matar o equilíbrio na região para as pessoas, Por isso, é muito importante ter mais cooperação e mais ambição em termos de proteção e preservação da floresta Amazônica.

Como o senhor avalia a relação entre o Brasil e a França neste momento?

(Depois de um silêncio) Já foi melhor.