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Jamil Chade

Mundo registra recorde de 15 milhões de casos de covid-19 em uma semana

omicron - BBC/Getty Images
omicron Imagem: BBC/Getty Images
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

11/01/2022 13h48


O mundo registrou um novo recorde de contaminações de covid-19, com 15 milhões de novos casos em apenas sete dias. Dados divulgados nesta terça-feira pela OMS (Organização Mundial da Saúde) revelam que metade dos novos números vem da Europa, com 40% dos casos registrados nas Américas.

Se o atual ritmo continuar, metade da população europeia vai ser contaminada em dois meses. A entidade também alerta que o número deve aumentar ainda, com novas regiões sendo afetadas nas próximas semanas.

Mas a OMS também insiste que não está ainda no momento de modificar a classificação da crise sanitária, passando de uma pandemia para uma situação de vírus endêmico.

Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS, aponta que o aumento entre a primeira semana de 2020 e a segunda revela a dimensão da expansão. No período de sete dias que terminou no dia 2 de janeiro foram 9,5 milhões de casos. No período que terminou no dia 10, o volume já chegou a 15 milhões.

Segundo a especialista, a taxa de contaminação é tão elevada que exigiu que a agência modificasse sua tabela de casos para se ajustar aos novos números. "Nossa escala não servia mais", disse.

A OMS ainda aponta que o número real é ainda maior, já que milhares de testes não são repassados aos governos ou são realizados em casa, sem jamais entrar na contabilidade oficial.

Apesar da explosão de números, as mortes aumentaram apenas de forma marginal, passando de 41 mil óbitos para 43 mil mortes na semana passada. Ainda assim, o número é considerado como extremamente elevado. "A variante ômicron não é uma gripe normal", disse.

Para ela, o sentimento de uma parcela das populações de que, a partir de agora, medidas de proteção já não funcionam, é um "erro". "Não é momento de desistir", disse a especialista da OMS.

"Há uma esperança de que a atual variante seja a última. Mas não podemos apostar nisso. Queremos acreditar que é suave. Mas isso não é correto", afirmou Mike Ryan, diretor de operações da OMS.

Os técnicos criticaram eventos e festas que, em alguns países, foram registrados nos quais os organizadores promovem para garantir uma suposta imunidade entre os convidados.

Ryan insiste que, se não fosse pela vacina, a taxa de casos severos e mortes seria ainda mais elevada. "A vacina está evitando muitos dos casos mais graves. Mas, mesmo assim, trata-se de um risco elevado", disse.

Segundo ele, a população mais velha continua vulnerável ao vírus. "As vacinas estão salvando vidas. Mas não podemos relaxar", insistiu Maria van Kerkhove.

Outro problema destacado pela OMS é que se nos países com elevada taxa de vacinação a variante está sendo tratada como um problema menor, o temor é de que, numa nova fase de contágios, ela chegue aos países onde a cobertura vacinal é ainda baixa.

Hoje, segundo a OMS, 3 bilhões de pessoas pelo mundo ainda não receberam sequer uma dose dos imunizantes. A preocupação é de que, diante da ômicron, o impacto pode ser diferente dos cenários registrados na Europa e nos EUA.