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Jamil Chade

REPORTAGEM

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OMS: Mortes disparam e abertura por pressão política aumentará óbitos

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) - Fabrice COFFRINI / POOL / AFP
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) Imagem: Fabrice COFFRINI / POOL / AFP

Colunista do UOL

01/02/2022 12h19

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Resumo da notícia

  • Agência aponta para "forte aumento" de mortes nas últimas quatro semanas
  • Em dez semanas, novas contaminações somaram 90 milhões de casos, mais que em todo o ano de 2020
  • Nos últimos sete dias, a ômicron fez 22 milhões de novas infecções, mais do que o dobro do que foi registrado no começo de janeiro
  • Dinamarca é o primeiro país a retirar todas suas medidas de controle, mas OMS insiste que muitos não estão nessa situação

Com base em dados das últimas quatro semanas, a OMS (Organização Mundial da Saúde) soa o alerta e aponta que está sendo registrado um "forte aumento" de mortes por conta da covid-19. Para a entidade, se a reabertura de sociedades ocorrer de forma prematura e por pressão política, um número ainda maior de mortes desnecessárias ocorrerá.

Se inicialmente a variante ômicron dava sinais de que poderia ser mais suave de uma forma real, a agência internacional insiste que os números de mortes voltaram a subir, ainda que não tenham seguido a tendência das novas contaminações. Para a OMS, medidas de controle precisam continuar.

Na semana que terminou no dia 27 de dezembro, 42 mil óbitos tinham sido registrados no mundo como decorrência da pandemia. Mas, na última semana de janeiro, a taxa chegou a quase 60 mil.

"Vemos um aumento preocupante de mortes na maioria das regiões do mundo", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus.

"Preocupa a narrativa de que, por conta das vacinas e de uma sinalização de um impacto mais suave, a transmissão não poderia mais ser parada e medidas de controle não são mais necessárias", disse. "Nada pode ser mais distante da verdade do que isso", alertou Tedros.

Segundo ele, em apenas dez semanas do surgimento da ômicron, quase 90 milhões de novos casos foram registrados. "Isso é mais que em todo ano de 2020", constatou. "Mais transmissão é mais morte", insistiu Tedros.

O chefe da OMS declarou que não está pedindo para que o confinamento seja restabelecido. "Mas governos precisam proteger suas populações", defendeu. Segundo ele, não se pode lutar apenas com vacinas e que o pacote de medidas precisa continuar.

"É prematuro desistir ou declarar vitória", alertou. "A variante é perigosa e continua a se desenvolver", disse Tedros.

Segundo ele, a OMS está monitorando sub categorias da ômicron que poderiam ter um impacto negativo. Uma delas tem chamado a atenção, a BA.2, e que estaria aumentando sua circulação. Há sugestões de que ela poderia ser mais transmissível que a média da ômicron, que já é a mais elevada entre todas as variantes.

Se em meados de janeiro a ômicron gerava 9 milhões de novas contaminações em uma semana, os últimos dias somaram outros 22 milhões de novas infecções. "Mas o que mais preocupa é que houve um forte aumento de mortes nas últimas quatro semanas", disse Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS. "Temos instrumentos que podem frear isso e pedimos que os governos usem esses mecanismos", afirmou.

A OMS, apesar da explosão de número de casos, insiste que as vacinas funcionam e refutam as alegações de campanhas de desinformação contra os imunizantes. Segundo a agência, as doses estão salvando milhares de vidas, ainda que a entidade admita que começa a buscar novas pesquisas e tecnologias que possam levar a uma nova geração de vacinas.

Retirada prematura de medidas de controle

No dia em que o governo da Dinamarca passa a ser o primeiro a anunciar o fim de medidas de controle e aponta que a ômicron já não representa um risco severo para o conjunto da sociedade, a OMS volta a alertar que nem todos estão nessa posição e que governos terão de ter cautela para modificar suas políticas sanitárias.

"Existem alguns países que estão próximos dessa situação e que podem sair do cenário da fase aguda da pandemia", disse Mike Ryan, diretor de operações da OMS. "E em alguns locais há como começar a retirada de medidas", afirmou. Mas ele afirma estar preocupado com governos que, sem tal cenário, simplesmente comecem a copiar seus vizinhos.

"Se alguns países têm essa oportunidade de seguir esse caminho, outros optam por levantar as medidas por pressão política. E isso vai gerar em mortes desnecessárias e transmissão", alertou.

"Esse não é o momento de retirar tudo de forma imediata", insistiu Maria van Kerkhove, que apelou para que governos façam mudanças em suas políticas de controle de forma lenta e cuidadosa.

Tedros admite que o "mundo não pode mais continuar assim" e que as pessoas estão "cansadas". Mas insiste que o fim da pandemia depende de decisões políticas.