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Jamil Chade

REPORTAGEM

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Procurador de Tribunal Penal Internacional abre investigação sobre Ucrânia

Retrato de Putin é manchado com tinta vermelha durante protesto do lado de fora da Embaixada da Rússia, em Bucareste, na Romênia - Inquam Photos/Reuters
Retrato de Putin é manchado com tinta vermelha durante protesto do lado de fora da Embaixada da Rússia, em Bucareste, na Romênia Imagem: Inquam Photos/Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

28/02/2022 17h24

Num gesto que amplia a pressão internacional sobre Vladimir Putin, o procurador do Tribunal Penal Internacional, Karim Khan, decidiu abrir investigações sobre a guerra na Ucrânia. Essa é a primeira etapa de um eventual processo contra os responsáveis pelos ataques.

"Decidi prosseguir com a abertura de uma investigação sobre a situação na Ucrânia, o mais rapidamente possível", declarou o procurador, nesta segunda-feira.

A Ucrânia não faz parte do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Isso significa que não pode encaminhar uma queixa ao procurador.

"Mas ela exerceu duas vezes suas prerrogativas de aceitar legalmente a jurisdição da Corte sobre supostos crimes sob o Estatuto de Roma que ocorrem em seu território, caso a Corte opte por exercê-la", disse.

A primeira declaração apresentada pelo Governo da Ucrânia aceitou a jurisdição do TPI com relação a supostos crimes cometidos em território ucraniano de 21 de novembro de 2013 a 22 de fevereiro de 2014. A segunda declaração prorrogou este período de tempo em aberto para abranger os alegados crimes em curso cometidos em todo o território da Ucrânia a partir de 20 de fevereiro de 2014.

"Revi as conclusões do Escritório decorrentes do exame preliminar da situação na Ucrânia e confirmei que existe uma base razoável para proceder com a abertura de uma investigação", declarou.

Segundo ele, "existe uma base razoável para acreditar que tanto os supostos crimes de guerra como os crimes contra a humanidade foram cometidos na Ucrânia em relação aos eventos já avaliados durante o exame preliminar do Escritório".

"Dada a expansão do conflito nos últimos dias, é minha intenção que esta investigação abranja também quaisquer novos supostos crimes que se enquadrem na jurisdição do meu Escritório e que sejam cometidos por qualquer parte do conflito em qualquer parte do território da Ucrânia", declarou.

Para levar adiante o caso, o procurador indicou que solicitou apoio orçamentário adicional e contribuições voluntárias para apoiar o processo.

"Continuarei acompanhando de perto os desenvolvimentos no terreno na Ucrânia, e mais uma vez peço contenção e estrita adesão às regras aplicáveis do direito humanitário internacional", completou.