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Jamil Chade

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Guerra na Ucrânia se aproxima de mil mortos, diz ONU

Pessoas cavam uma cova para vítimas de ataques em Mariupol, no sudeste da Ucrânia - ALEXANDER ERMOCHENKO/REUTERS
Pessoas cavam uma cova para vítimas de ataques em Mariupol, no sudeste da Ucrânia Imagem: ALEXANDER ERMOCHENKO/REUTERS
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

21/03/2022 10h13

Um informe publicado na manhã desta segunda-feira pela ONU revela que o número de mortos registrado oficialmente na guerra na Ucrânia chega perto de mil vítimas. De acordo com o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, até domingo 925 civis perderam a vida desde o início da guerra.

A própria ONU admite que o número real de vítimas fatais é "substancialmente maior". Mas insiste que esses são, pelo menos por enquanto, os únicos números confirmados de maneira independente. De acordo com a entidade, 75 crianças morreram desde o início da crise. Além dos mortos, 1,5 mil feridos também foram registrados.

O epicentro das vítimas está na região de Donetsk e Luhansk. Ali já foram somados 256 mortos e 761 feridos. Nas áreas sob o controle do governo ucraniano, somam-se 201 mortos e 571 feridos. Já nos territórios controlados pelas autoproclamadas repúblicas, foram 55 mortos e 190 feridos.

Nas demais regiões do país - incluindo Kiev, Cherkasy, Chernihiv, Kharkiv, Kherson, Mykolaiv, Odesa, Sumy, Zaporizhzhia, Dnipropetrovsk e Zhytomyr, foram registradas 669 mortes e 735 feridos.

Na semana passada, a ONU deixou claro que estava preocupada com "ataques indiscriminados" por parte da Rússia contra a população e falou pela primeira vez que tais atos poderiam consistir crimes de guerra, se confirmados. Moscou rejeita a tese de que esteja atingindo civis.

"A maioria das baixas civis registradas foi causada pelo uso de armas explosivas com uma ampla área de impacto, incluindo o bombardeio de artilharia pesada e sistemas de foguete de lançamento múltiplo, e ataques aéreos e de mísseis", disse a ONU.

A agência da ONU ainda afirmou que "acredita que os números reais são consideravelmente mais altos, especialmente em território controlado pelo governo e especialmente nos últimos dias, pois o recebimento de informações de alguns locais onde têm ocorrido hostilidades intensas tem sido atrasado e muitos relatórios ainda estão pendentes de corroboração", explica.

Isso diz respeito, por exemplo, a Mariupol e Volnovakha, Izium, Sievierodonetsk e Rubizhne, e Trostianets (região de Sumy). Segundo a ONU, nesses locais "existem denúncias de numerosas baixas civis". "Estes números estão sendo corroborados e não estão incluídos nas estatísticas acima" alerta.

A ONU também destaca para o fato de que Procuradoria Geral da Ucrânia contabiliza 115 crianças mortas e mais de 148 feridas.