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Jamil Chade

REPORTAGEM

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Planalto avalia incluir ataques contra o PT em discurso na ONU

Presidente Jair Bolsonaro (PL) discursa a apoiadores em Londres, Inglaterra, onde será o funeral da rainha Elizabeth 2ª - Reproduão/Facebook Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro (PL) discursa a apoiadores em Londres, Inglaterra, onde será o funeral da rainha Elizabeth 2ª Imagem: Reproduão/Facebook Jair Bolsonaro

Colunista do UOL

19/09/2022 16h04

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O governo de Jair Bolsonaro avalia se irá incluir no discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU ataques direcionados aos governos do PT. Nesta terça-feira, o brasileiro é o primeiro chefe de estado a subir à tribuna da ONU para discursar e, num dos rascunhos do texto que será lido, não está excluído que ele faça críticas aos governos anteriores.

Feito com informações de diferentes ministérios, o discurso deve ser apenas fechado em sua versão final na noite desta segunda-feira. Um dos elementos sendo avaliados é o de saber se tais referências poderiam ser questionadas pela oposição em eventuais processos no Tribunal Superior Eleitoral.

Membros do alto escalão do Itamaraty já deixaram claro que são contrários à inclusão de ataques explícitos a outros partidos brasileiros, enquanto diplomatas buscam alternativas para evitar constrangimentos.

Bolsonaro deve, mesmo assim, usar a tribunal para apresentar seus três anos e meio de governo, além de sinalizar ao mundo compromissos que o país já assumiu sobre a redução do desmatamento. Até agora, porém, os números apontam que tais metas não estão sendo atendidas e que os problemas apenas se agravam.

O ataque ao "comunismo" e garantias de que a corrupção está sendo combatida no Brasil também podem entrar nos cerca de dez minutos de discursos.

Outro ponto de destaque do presidente deve ser a situação econômica do país, considerada por seu gabinete como positiva. Ele, porém, não citará a existência de 33 milhões de brasileiros que passam fome e nem os quase 700 mil mortos pela pandemia, um dos maiores números em todo o mundo.

Antes de Bolsonaro falar, porém, a tribuna da ONU será ocupada pelo secretário-geral da entidade, Antonio Guterres. Ele promete mandar mensagens que podem não agradar a líderes como o brasileiro.

"A solidariedade prevista na Carta das Nações Unidas está sendo devorada pelos ácidos do nacionalismo e do interesse próprio", disse o português na semana passada, ao antecipar uma parcela de sua mensagem.

Segundo ele, essa solidariedade internacional está sendo minada "por um desprezo chocante pelos mais pobres e vulneráveis em nosso mundo, por políticos que jogam com os piores instintos das pessoas para obter ganhos partidários, por preconceitos, discriminação, desinformação e discursos de ódio que colocam as pessoas umas contra as outras".