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Jamil Chade

REPORTAGEM

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Covid-19 continua sendo pandemia e emergência não acabou, conclui OMS

Colunista do UOL

30/01/2023 06h18

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Três anos depois da eclosão do surto da covid-19, a OMS (Organização Mundial da Saúde) anuncia que a crise continua sendo uma emergência global e que não está no momento de declarar o fim da pandemia.

Eliminar o vírus passou a ser "altamente improvável", diz a entidade, embora a crise esteja em um momento de "transição".

Na última sexta-feira (27), alguns dos principais especialistas do mundo se reuniram para avaliar se a crise poderia ser declarada como encerrada. Em três anos, o FMI estima que a emergência gerou perdas de US$ 13 trilhões.

Nesta segunda-feira, depois de avaliar a resposta dos especialistas, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyeus, indicou que "concorda com o conselho oferecido pelo Comitê de Emergência a respeito da pandemia em curso e determina que o evento continua a constituir uma emergência de saúde pública de preocupação internacional".

Para os especialistas, a covid-19 está "provavelmente em um ponto de transição". Mas essa situação exigirá que governos "naveguem cuidadosamente para mitigar as potenciais consequências negativas".

Em seu discurso diante do comitê, Tedros indicou que a semana marca o terceiro aniversário da determinação da covid-19 como uma emergência.

Enquanto o mundo está em melhor posição do que estava durante o pico da transmissão da ômicron um ano atrás, mais de 170 mil mortes relacionadas à covid-19 foram relatadas globalmente nas últimas oito semanas."
Tedros Ghebreyeus, diretor-geral da OMS

Além disso, a vigilância e o sequenciamento genético diminuíram globalmente, tornando mais difícil rastrear variantes conhecidas e detectar novas variantes.

"Os sistemas de saúde estão atualmente lutando contra a covid-19 e cuidando de pacientes com influenza e vírus respiratório, escassez de mão de obra de saúde e trabalhadores da saúde fatigados", insistiu.

A resposta ao vírus continua sendo, na sua opinião, minada em muitos países que são "incapazes de fornecer ferramentas para as populações mais necessitadas, pessoas idosas e trabalhadores da saúde".

Na avaliação da OMS, a pandemia continua sendo caracterizada como uma emergência de "risco global elevado", sobrecarregando alguns sistemas de saúde já em dificuldade.

"A secretaria da OMS expressou preocupação com a contínua evolução do vírus no contexto da circulação descontrolada do SRA-CoV-2 e a diminuição substancial dos relatórios dos Estados-Membros sobre dados relacionados à morbidade, mortalidade, hospitalização e sequenciamento da covid-19", diz.

Diante da situação, a OMS pede aos países para:

  • permanecer vigilantes e continuar reportando dados de vigilância e sequenciamento genômico;
  • recomendar medidas sociais e de saúde pública devidamente direcionadas;
  • vacinar populações de maior risco para minimizar doenças graves e mortes;
  • conduzir comunicação regular de risco.

A lista de recomendações ainda inclui:

  • Manter a dinâmica para que a vacinação da covid-19 alcance 100% de cobertura de grupos de alta prioridade;
  • Os governos devem planejar a integração da vacinação da covid-19 em parte dos programas de imunização do ciclo de vida;
  • Os governos devem considerar como fortalecer a prontidão do país para responder a surtos;
  • Combater a desinformação e implementar efetivamente medidas sociais;
  • Não exigir prova de vacinação contra a covid-19 como um pré-requisito para viagens internacionais.

O comitê foi informado de que, globalmente, 13,1 bilhões de doses de vacinas covid-19 foram aplicadas, com 89% dos trabalhadores da saúde e 81% dos adultos mais velhos (mais de 60 anos) tendo completado a série primária.

Na avaliação dos especialistas, outra preocupação vem da constatação de que o número de mortes continua elevado em comparação com outras doenças infecciosas respiratórias. A isso se soma a "insuficiente adoção de vacinas em países de baixa e média renda, bem como nos grupos de maior risco em todo o mundo".

Há um reconhecimento entre os especialistas de que, depois de três anos, há uma "fadiga pandêmica", e a redução da percepção pública de risco levou à queda no uso de máscaras e distanciamento social.

A hesitação na vacinação e a contínua disseminação de desinformação continuam a ser obstáculos extras para a implementação de intervenções cruciais de saúde pública."
OMS

Ponto de transição

Na avaliação da agência, a covid-19 "continua sendo uma doença infecciosa perigosa com a capacidade de causar danos substanciais à saúde e aos sistemas de saúde". Mas a percepção é de que ela pode "estar se aproximando de um ponto de inflexão".

"Atingir níveis mais altos de imunidade da população globalmente, seja através de infecção e/ou vacinação, pode limitar o impacto do SRA-CoV-2 na morbidade e mortalidade, mas há poucas dúvidas de que este vírus permanecerá um patógeno permanentemente estabelecido em humanos e animais por um futuro previsível", disse.

Para a OMS, uma ação de saúde pública a longo prazo é "criticamente necessária".

"Embora a eliminação deste vírus de reservatórios humanos e animais seja altamente improvável, a mitigação de seu impacto devastador sobre a morbidade e mortalidade é alcançável e deve continuar a ser uma meta prioritária", insistiu.