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José Luiz Portella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Privatização da Petrobras é fake news para desviar atenção do Brasduto

Ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida -  Bruno Spada/MME
Ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida Imagem: Bruno Spada/MME
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

12/05/2022 07h18

Não haverá privatização da Petrobras. Nem agora, nem nos próximos anos.

Esse governo não conseguiu privatizar a Eletrobras e está necessitando alçar o jabuti de R$ 100 bilhões para satisfazer interessados privados, alinhados com o Centrão.

Ou seja, é preciso de um estupro de R$ 100 bilhões para aprovar a privatização da Eletrobras. Imagina qual seria a conta da Viúva se fosse privatizar a Petrobras e criar Abramovichs nativos.

O Brasduto virou Centrãoduto porque, hoje, orçamentariamente, que é o que importa, o Brasil é governado pelo Centrão.

Há um total domínio do Centrão sobre o governo de Bolsonaro e, consequentemente, sobre o OGU (Orçamento Geral da União).

Sachsida é um nefelibata da banda Paulo Guedes Nefelibatas Liberal Heart Club Band. É formado pelo Curso de Altos Estudos de Olavo de Carvalho. Provavelmente tem mestrado online também na Olavo de Carvalho Business School da Virgínia.

Ele disse que não haveria segunda onda de covid, previu crescimentos chineses para o Brasil, fala qualquer coisa com a seriedade de um camelô da Feira de Acari. Como Guedes e a venda de um bilhão do patrimônio da União.

Curioso, que parte do mercado, se incomoda com possível governo Lula e finge não enxergar como seria um futuro governo Bolsonaro. Seria o aluguel do Brasil ao Centrão.

O entusiasmado Pedro Jobim, da Legacy, simboliza este nicho de mercado, que não faz projeções sobre um eventual futuro governo Bolsonaro.

O futuro seria a solução preconizada por Raul Seixas: " a solução é alugar o Brasil". O Centrão arrendaria o Brasil.

A Petrobras tomaria anos na discussão para ter medida de privatização apreciada, custaria inúmeros jabutis, e, provavelmente, não passaria porque no Congresso, mesmo com a lubrificação dos jabutis, a maioria é contra.

Quem tem contato com o Congresso sabe disso. Alimenta essa falsa notícia, quem não conhece o Congresso.

A Eletrobras já gera enorme resistência, e a solução do Brasduto foi um canal de ampla vazão, para viabilizar sua privatização, com a fatia que seria oferecida aos patriotas do Centrão.

Quem acredita na fala de Arthur Lira em New York?

Person of the Year é evento para que poderosos de ocasião, mesmo sem qualquer credibilidade, sejam bajulados por empresários interessados. Que eles façam o desiderato deles (empresários).

É uma forma de tirar pessoas do anonimato e assomar uma tribuna em Nova York, que é visto pelo viralatismo de plantão, como topo do mundo. O homenageado compra terno novo e vai ao cabeleireiro mais caro de NY.

Só que funciona, como percebeu o "esperto" João Doria, menoscabado dessa vez, como na canção Folhetim: " és o maior e me seduz, mas no dia seguinte és página virada do meu folhetim".

Doria foi ignorado. Arthur será o próximo. Fora do poder, nem Esteves atenderá o telefone.

O complexo de vira-latas faz com que aquela tribuna e o jantar caro com bons vinhos depois, assanhe o ego do homenageado, sem que ele saiba que está pagando pelo jantar, no Brasil. Bem caro.

Não há chance alguma da Petrobras ser privada. No caso de Lula, o favorito, que como dissemos muito antes, pode vencer no primeiro turno, é zero a probabilidade.

Na hipótese surpreendente de vitória de Bolsonaro, ele, aos poucos, como já fez diversas vezes, recuaria diante das dificuldades mesmo " se achando" imperador do Brasil e querendo acabar com a alternância de poder.

Por isso, Bolsonaro não vai ganhar. Além de todos os absurdos, dar a vitória a Bolsonaro é desejar acabar com a alternância de poder no Brasil, como acontece na Venezuela, na China e na Rússia, e não ocorre na Ucrânia.

Crer em Sachsida é acreditar que a covid, que ele disse que não viria, "não veio".

Ele saiu do ministério da Economia para entrar no anedotário.

Se quiser se preocupar com algo relevante, fique de olho no Brasduto do Centrão e sua irrigação no Congresso.

Proporciona uma boa palestra em Nova York. Nas barras dos tribunais.