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José Luiz Portella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O PT destrói o próprio PT, com a conivência de Lula

Eduardo Suplicy reclamou para Aloizio Mercadante que sua proposta de renda básica não foi incluída nas diretrizes do programa de Lula. - Divulgação
Eduardo Suplicy reclamou para Aloizio Mercadante que sua proposta de renda básica não foi incluída nas diretrizes do programa de Lula. Imagem: Divulgação
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

22/06/2022 08h10

Às portas de vencer eleição nacional, derrotando o algoz que criou em 2018, devido ao respectivo comportamento, o PT consegue ser trágico. Indefensável.

O que a cúpula do PT fez com o vereador Suplicy é indecente, injustificável, e serve como alimento para recrudescimento do espírito de rejeição ao partido.

O PT é autofágico.

Uma das melhores propostas de política pública, a Renda Básica, consagrada por lei e não aplicada devidamente, pelos próprios governos do PT, é ignorada, num programa tão amplo, que precisou ser reduzido para agradar a todos os aliados.

A Renda Básica é inquestionável e indiscutível entre os aliados, Mercadante teve uma conduta reprovável e hipócrita, ao se safar da omissão petista, argumentando não ser responsável pela lista de convidados.

Primeira hipocrisia: ninguém seria convidado sem o aval de Mercadante, que controla a Fundação Perseu Abramo, politicamente, com mãos de ferro.

Segundo, o vereador Suplicy é figura simbólica no PT, teria de constar automaticamente na lista, com tanta legitimidade como Lula, pelo histórico dentro do partido.

Terceiro, o programa de Renda Básica Universal é o carro -chefe das políticas públicas do PT e não precisa de nenhuma discussão mais aprofundada para constar no programa.

Suplicy deve ser convidado de honra.

Discussão aprofundada, como Mercadante procurou tangenciar a questão, só cabe, para aprimorar. No caso, tornar a Renda Universal, com valores diferenciados entre os brasileiros, conforme renda, dando prioridade aos mais carentes.

Todos os brasileiros são donos e sócios do Brasil e merecem uma cota, ainda que simbólica para os estratos de renda mais altos, como retorno por serem cidadãos. Mas, isso é outra história, que podemos esmiuçar.

Aqui cabe a grande advertência ao risco - PT no governo.

A alternativa Bolsonaro nem se coloca, pelo que representa de nocivo ao país.

Como não há outra alternativa, pela debilidade de outras lideranças, ou vaidade, ou falta de conteúdo, precisamos criar freios e contrapesos para o governo de Lula, que ganhará as eleições.

Como se viu nas alterações no programa de governo, convenientes para manter aliados, e uma realidade no país do presidencialismo de coalizão e de supremacia do Centrão, que não tem princípio ideológico qualquer, o PT e Lula recuaram.

O PT, por estar salivando pelo Poder, Lula, por que sabe que fará o que quiser adiante, enfileirando desculpas de contingência, para mudar o combinado.

Lula é um pragmático astuto.

No fundo, vai fazendo o que deseja. E não gosta muito de José Eduardo, que o sancionou em antigo caso julgado internamente, e de Suplicy, por não lhe seguir de forma servil, como a maioria.

Só que não.

Na questão da Renda Básica, Lula, PT, Mercadante, Gleisi não podem agir assim. A Renda Básica é maior do que todos eles.

Foi o Bolsa-Família, o sustentáculo político do PT, junção de vários programas iniciados em FHC, que Lula aumentou o valor, é justo reconhecer, ainda que deixando num patamar bem baixo, mas acima do patamar anterior, que é uma espécie de Renda Básica focada, filhote da Renda Básica Universal.

Que ainda não funciona como deveria, e que Bolsonaro, como não tem a menor empatia com os mais pobres, nem inteligência teve para suplementar.

Deixar o Renda Básica de fora é um crime de lesa partido, que só Mercadante poderia perpetrar, Lula e Gleisi condescenderem. Muito triste.

Triste e indicativo de que um futuro governo do PT, que vem aí, pode trazer surpresas decepcionantes para quem luta por mais igualdade no país.

Alexandre Padilha parece ser o maior candidato a ser um Palocci 2.0, procurando se aproximar e ser doce com empresários e mercado financeiro, declamando o que eles querem ouvir.

O maior problema que traz tal atitude inacreditável do PT com Suplicy, é a perspectiva de Lula resvalar para o apetite de mercado financeiro, da volta do imposto sindical compulsório, da não tributação devida aos mais ricos, como deve ser.

Suplicy e Renda Básica, gostem ou não Mercadante e Lula, são mais do que ícones, Renda Básica é a referência de onde Lula pode chegar, na luta por igualdade, tão apregoada, tão menoscabada.

Mercadante foi um sinal de que a luta política interna no PT vence os ideais. Lula, com as mãos na cabeça baixa, foi o signo de que o pragmatismo supera o compromisso. E da idiossincrasia, Lula não gosta de Suplicy.

Mal começo.

O governo de Lula tem que ser escrutinado, antes que ele vença as eleições, porque aí vai falar o que falou ao Serra em 2002:

"Eu ganhei, você perdeu". E a soberba se estendeu, a escapada do mensalão, levou à Petrobras, e deu no que deu: Bolsonaro.

O PT não se cura.