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José Luiz Portella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Greve ônibus foi combinada entre empresários e sindicato? Cabe intervenção?

14.jun.2019 - Ônibus do transporte público parados em garagem - Adriano Machado/Reuters
14.jun.2019 - Ônibus do transporte público parados em garagem Imagem: Adriano Machado/Reuters
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

14/06/2022 12h12

Cabe investigar essa greve de ônibus na cidade de São Paulo feita pelo sindicato de funcionários por conta de questões com o empregador, que não pune os empresários, os donos, e sim os usuários.

Muitas vezes, todos sabem, empresários entram em acordo implícito com sindicatos um tanto pelegos e criam uma situação de caos para a população com o objetivo de arrancar mais subsídios e outras benesses da prefeitura.

No caso de São Paulo, tratando se de armação muito bem costurada. O setor empresarial dos transportes é muito forte no âmbito municipal e sabe atuar.

Pergunta que não quer calar: Se o embate é com os empresários, porque os funcionários penalizam o usuário?

Em greves desse tipo, em outros países em situação semelhante, os funcionários abrem a catraca, deixando livre para que os usuários consigam se deslocar para o trabalho, saúde, estudo e não são prejudicados, e o empresário não fatura. É como funciona em vários lugares, sobretudo, em paralisações rápidas, momentâneas.

Aqui, não. Jabuticaba "empresário sindical". O Poder público hoje, já gasta fortuna com subsídio. Querem mais.

Na gestão Mário Covas na prefeitura, onde eu era secretário de Governo, houve situação semelhante, quando da implantação do passe do idoso.

Com brilhante atuação de Getúlio Hanashiro, secretário de Transportes, na época, de José Afonso da Silva, secretário de Justiça e seu eficaz assessor, Luiz Antônio Alves de Souza, o prefeito Covas fez uma intervenção em várias empresas que confrontaram o Poder Público. Em algumas, a intervenção durou mais de vinte dias.

Não sei se é o caso agora, mas tem jeito, os empresários do setor apreciam confrontar a prefeitura.

O certo é que a população não pode mais arcar com isso.

As multas aplicadas pela Justiça do Trabalho não são pagas pelo sindicato, e segue o jogo, com essas ameaças combinadas constantes.

Empresários e sindicatos seguem impunes, a impunidade é um obstáculo que impede o Brasil de crescer, mais do que se imagina.

Será hora de intervenção se não acabarem logo com essa greve, que tem tudo para ser uma mordida na prefeitura.

Na época de Covas, assisti os empresários passarem a respeitar a prefeitura e os habitantes da cidade.

Ganância não pode triunfar.