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José Luiz Portella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Privatizar não deve ser um ato ideológico

Martha Seillier, secretária especial do PPI (Programa de Parceria de Investimentos) - Ricardo Botelho/ Ministério da Infraestrutura
Martha Seillier, secretária especial do PPI (Programa de Parceria de Investimentos) Imagem: Ricardo Botelho/ Ministério da Infraestrutura
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

18/06/2022 11h41

Privatizar é um processo, que pode ou não dar certo.

Várias privatizações já deram errado, e foram revertidas, outras deram certo, no sentido de servirem melhor à sociedade.

No popular: há privatização boa e existe privatização ruim.

Privatização não é porto seguro, que liberais de feira do Acari, gostam de anunciar como a redenção de todos os males.

Não cura corrupção. Corrupção é um atributo do ser humano, em todas as épocas, em todos os governos, de direita, de centro e de esquerda. A iniciativa privada, ao controlar um serviço antes público, não estará isenta, nem caminhará eternamente sem ilicitudes. Aliás, as grandes empresas de construção, os bancos, os grandes empresários são exemplos agudos e marcantes de quanta corrupção ocorre.

Dizer que menos Estado, significa menos corrupção é uma meia verdade, que oculta: menos corrupção que a gente saiba. A corrupção privada é blindada. Empresários corruptos raramente aparecem em fotos e na mídia com a frequência de quem se corrompe no serviço público. Com a mesma sede da imprensa. Isso acontece em todo lugar do mundo.

A privatização é um processo, que permite, em alguns casos, que as falhas de Estado sejam supridas por virtudes do mercado. Todavia existem falhas de mercado tão ruins quanto as de Estado, o segredo é realizar articulação entre Estado e Mercado, que varie, caso a caso. A Educação é diferente da Saúde, Obras Públicas são diversas as articulações da área social.

Não há um modelo que sirva para tudo, o tempo todo. O contexto se altera, e cabe adequar essas articulações ao presente e ao futuro e ter o passado só como referência para aprimoramento.

Política pública não é uma construção só ideológica, nem fixa, aprisionada pelo tempo.

O Estado é composto por gente, pessoas que mudam, e por isso é tão falível quanto a iniciativa privada, que também é humana.

Privatização depende de tudo isso. Pode dar certo ou não. Porém, uma coisa é certa, privatização não abaixa preço como no caso da Petrobras.

Nem haverá um acionista privado obsequioso, que nos livre do aumento do preço do petróleo, ou da variação do dólar. Não há empresário que queira ter "lucrinho" em prol da sociedade.

A privatização é uma ferramenta. Que não pode ser usada como desculpa para aumento de combustível, nem para vender a Petrobras para amigos importantes.

Não podemos ser reféns do Centrão e da incúria de Bolsonaro.

Nem começar a privatizar por uma empresa que dá lucro ao Brasil e que pertence a setor estratégico, que deve ser controlado pelo nosso país.