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Opinião

Ocupação aumentou, mas melhora desacelerou e precarização é crescente

O colunista do UOL José Roberto de Toledo afirmou durante o programa Análise da Notícia que apesar de o desemprego ter caído no Brasil há motivos para preocupação com o futuro econômico do país.

Aumentou a força de trabalho ocupada e continua melhorando, mas a melhora é mais lenta e a precarização do trabalho é crescente. José Roberto de Toledo

Dados divulgados pelo IBGE mostram que a taxa média de desemprego no Brasil em 2023 ficou em 7,8%, o menor número desde 2014, quando a taxa foi de 7%. Essa também foi a primeira vez na história que o Brasil ultrapassou o número de 100 milhões de pessoas ocupadas. Toledo, entretanto, chamou a atenção para a diferença entre trabalhadores ocupados e empregados.

Ocupado é um critério mais amplo do que empregado, e ocupado é todo mundo que trabalhou por um tempo mínimo na semana em que o IBGE fez a pesquisa. É muito importante e é o principal critério para se avaliar como a economia está indo, afinal de contas é muito mais importante o desemprego do que a cotação da bolsa de valores ou a cotação do dólar. A taxa efetivamente diminuiu e a taxa de desocupação bateu em 7,8% da população que faz parte da força de trabalho potencial. José Roberto de Toledo

A menor taxa da série histórica foi atingida em 2014, quando ficou em 7%. No ano seguinte, entretanto, a taxa subiu para 8,9% e, em 2022, no último ano de governo de Jair Bolsonaro (PL), a taxa foi de 9,6%. A taxa de desocupados atingiu o pico da série histórica em 2021, quando chegou a 14%.

Toledo pontuou que, desde o impeachment de Dilma, o Brasil viveu uma catástrofe em que "a economia do Brasil ficou 10 anos em frangalhos" e que, apesar de haver motivos para comemorar a queda da taxa de desocupação, também há fatores que preocupam.

A tendência recente é boa na diminuição da desocupação e ela continuou em 2023, mas é preocupante porque na margem, ou seja, de 2023 em comparação à 2022 e na comparação de 2022 com 2021, houve uma desaceleração na melhora. Continua melhorando, mas está melhorando mais devagar. Isso é preocupante porque aponta que se continuar nesse ritmo vai desacelerar ainda mais em 2024, então a melhora vai sendo cada vez menor. José Roberto de Toledo

Além disso, o colunista do UOL também chamou a atenção para o aumento da informalidade e da precarização do trabalho.

A outra preocupação é que a informalidade dentro do mercado de trabalho é muito grande e em algumas áreas cada vez maior. No último ano, por exemplo, trabalhadores domésticos sem carteira assinada cresceram 340 mil, enquanto com carteira assinada cresceram 13 mil, então piorou muito. As ocupações que foram criadas não tinham carteira assinada e houve precarização. Outro exemplo de precarização do trabalho são os trabalhadores por conta própria sem CNPJ, que cresceu 1,8% enquanto os que possuem CNPJ caiu 1,8%. Até aí existe precarização e essas pessoas estão mais informais hoje do que estavam há um ano atrás. José Roberto de Toledo

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O Análise da Notícia vai ao ar às terças e quartas, às 13h e às 14h30.

Onde assistir: Ao vivo na home UOL, UOL no YouTube e Facebook do UOL.

Veja abaixo o programa na íntegra:

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.