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Queiroz é obra de Jair Bolsonaro, não de Flávio

Em dezembro de 2018, Bolsonaro chamava Queiroz de 'nosso assessor'

UOL Notícias
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

19/12/2019 15h20

Jair Bolsonaro disse não ter nada a ver com o escândalo que carcome a biografia do filho Flávio Bolsonaro. Neste caso, nada é uma palavra que ultrapassa tudo. Há digitais do presidente da República por toda parte. Há um ano, quando o caso chegou às manchetes, Bolsonaro chamava Fabrício Queiroz de "nosso assessor". Enaltecia a amizade de três décadas que o unia ao personagem. E não excluía a hipótese de ter de expiar algum tipo de culpa.

Eis o que disse Bolsonaro numa transmissão ao vivo pela internet em 12 de dezembro de 2018: "Se algo estiver errado —seja comigo, com meu filho ou com o Queiroz— que paguemos a conta deste erro. Não podemos comungar com erro de ninguém. (...) O que a gente mais quer é que seja esclarecido o mais rápido possível, que sejam apuradas as responsabilidades, se é minha, se é do meu filho, se é do Queiroz. Ou de ninguém." (assista no vídeo que abre o post)

Quatro dias antes, Bolsonaro tentara explicar, sem sucesso, o repasse de R$ 24 mil de Queiroz para a conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ele dissera que a cifra se referia ao pagamento de empréstimo não declarado de R$ 40 mil que fizera ao correntista milionário. Alegou que o "amigo" Queiroz lhe teria repassado dez cheques de R$ 4 mil como pagamento. Nessa versão, os depósitos foram feitos na conta de sua mulher porque Bolsonaro não teria tempo de ir ao banco. (Reveja no vídeo abaixo)

Nessa ocasião, a poucos dias de assumir a Presidência, Bolsonaro soava como um político destemido. "Não sou contra vazamento", ele dizia, sobre a divulgação de detalhes sigilosos das investigações. "Tem que vazar tudo mesmo. Nem devia ter nada reservado. Tem que botar tudo para fora e chegar à conclusão."

Agora, o presidente concluiu que não tem nada a ver com seu amigo de três décadas, não tem nada a ver com a presença dele no gabinete do filho, não tem nada a ver com o dinheiro que escorreu da conta suja para a conta de sua mulher, não tem nada a ver com nada. Mais um pouco e Bolsonaro será obrigado a recitar o próprio RG e o CPF na frente do espelho para se certificar de que é ele mesmo e não um impostor que ocupa a Presidência da República.

Josias de Souza