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Moro coloca sua popularidade a serviço de Guedes

Ian Cheibub/Folhapress
Imagem: Ian Cheibub/Folhapress
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

22/02/2020 17h31

O ministro Sergio Moro, da Justiça, colocou sua popularidade a serviço do colega Paulo Guedes, titular da pasta da Economia. Em pleno sábado de Carnaval, Moro foi ao Twitter para enaltecer Guedes: "É dos melhores quadros do serviço público brasileiro, senão o melhor", escreveu.

O afago verbal de Moro chega num instante em que o prestígio de Guedes é corroído por declarações tóxicas —referências que o czar da Economia fez aos "parasitas" que arrancam reajustes do Estado-hospedeiro e sobre a "festa danada" que as domésticas vinham fazendo na Disney quando o dólar estava barato.

Numa semana em que Jair Bolsonaro teve de agir para apagar um foco de incêndio no seu Posto Ipiranga, o apoio de Moro não é negligenciável. O Datafolha revelou em dezembro que o ex-juiz da Lava Jato é o ministro mais bem avaliado do governo, com 53% de aprovação —taxa superior à de Bolsonaro (30%).

Nessa mesma pesquisa, anterior aos tropeços de sua língua, Guedes amealhou aprovação de 39%. Não chega a ser um índice vexatório, mas rendeu ao superministro uma posição de sub-Damares Alves, pois a colega dos Direitos Humanos obteve no Datafolha 43% de menções positivas.

Moro grudou seu prestígio também no general Luiz Eduardo Ramos, coordenador político do Planalto. Qualificou-o de "excelente". Alistou-se no seu destacamento. "Sou soldado (ele general) em favor das reformas."

A exemplo de Guedes, o general Ramos não teve uma boa semana. A negociação que conduzia com a cúpula do Congresso para domar o apetite dos parlamentares sobre as verbas do Orçamento foi torpedeada pelo também general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI.

Gravado sem saber, Heleno insinuou que Ramos capitulara diante de um Congresso chantagista. Aconselhou Bolsonaro a resistir. Mais: disse que o presidente deveria convocar as ruas para pressionar o Legislativo. Até Bolsonaro, que possui ignição instantânea, pediu calma ao general.

Josias de Souza