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Bolsonaro posta novo vídeo contra isolamento social

UESLEI MARCELINO
Imagem: UESLEI MARCELINO
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

02/04/2020 14h18

O tom moderado exibido por Jair Bolsonaro no pronunciamento que levou ao ar na noite de terça-feira era cenográfico. A teatralidade fica evidente em novo vídeo postado pelo presidente nas suas redes sociais nesta quinta-feira.

No vídeo, uma mulher que se apresenta como professora faz um apelo a Bolsonaro na frente do Alvorada. Ela diz que precisa "voltar a trabalhar".

A senhora pede ao capitão para colocar "os militares na rua". Ataca governadores e a imprensa. Bolsonaro reagiu assim: "Pode ter certeza de que a senhora fala por milhares de pessoas."

É o segundo vídeo anti-isolamento divulgado por Bolsonaro depois do pronunciamento teatral transmitido em rede nacional.

Na manhã de quarta-feira, o presidente trombeteara imagens de um personagem denunciando suposto desabastecimento de alimentos no Ceasa de Belo Horizonte. Era mentira. À noite, Bolsonaro desculpou-se.

Antes, Bolsonaro ecoava, ele próprio, a aversão à tática do confinamento, adotada na guerra contra o coronavírus. Agora, ele terceiriza os ataques a governadores e jornalistas.

O presidente trafega na contramão do mundo e do seu próprio ministro da Saúde, Henrique Mandetta, que tem mencionado o isolamento social nos últimos dias como algo essencial.

Mandetta explica didaticamente que o isolamento serve para retardar a propagação do vírus, dando tempo às autoridades para equipar o sistema de saúde. A alternativa é o colapso.

Num governo lógico, o presidente expilcaria à mulher que o abordou na frente do palácio residencial o drama vivido pelo país. Recomendaria recolhimento e paciência.

Mas Jair Bolsonaro, superior hierárquico de Henrique Mandetta, prefere sorrir para o azar, estimulando o colapso que seu ministro da Saúde tanto receia.

Josias de Souza