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Criticado por Carluxo, Mourão proclama: 'Sou vice'

Arte BOL: Sergio Lima/AFP e Taís Vilela/UOL
Imagem: Arte BOL: Sergio Lima/AFP e Taís Vilela/UOL
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

08/04/2020 15h12

Depois de ter sido fustigado por Carlos Bolsonaro, o general Hamilton Mourão achou necessário plugar-se ao Twitter para proclamar o óbvio: "Aos aventureiros de muitos costados que nesta hora de dificuldades pretendem inviabilizar o governo lembro que sou o vice do presidente Jair Bolsonaro". Aproveitou para reafirmar sua lealdade: "Os paraquedistas andam sempre no mesmo passo."

Autoconvertido numa espécie de vereador federal, Carluxo, o filho Zero Dois de Bolsonaro, trocou a Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo Planalto. Dali, pilota a artilharia do pai nas redes sociais. Há cinco dias, disparou contra Mourão: "O que leva o vice-presidente da República a se reunir com o maior opositor SOCIALISTA do governo?..."

Referia-se ao governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que participara não de um encontro a sós com Mourão, mas de uma videoconferência com outros governadores da chamada Amazônia Legal. Coisa testemunhada por uma penca de assessores. Nas pegadas das aleivosias de Carluxo, Mourão passou a ser brindado com balas perdidas do bolsonarismo na web.

Foi contra esse pano de fundo que o vice veio à boca do palco para informar que é vice. Quando o filho do presidente transforma o Número Dois da República numa assombração, forçando-o a proclamar o óbvio, é sinal de que há na praça uma segunda obviedade acachapante: o presidente não se sente seguro no cargo. A lealdade do vice ajuda. Mas Bolsonaro talvez se sentisse mais confortável na cadeira se mandasse fechar a fábrica de fantasmas do filho.

Josias de Souza