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Aras: Debate sobre vaga no STF causa 'desconforto'

Isac Nóbrega/PR
Imagem: Isac Nóbrega/PR
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

30/05/2020 00h36

Pendurado nas manchetes como alternativa de Jair Bolsonaro para ser indicado a uma hipotética terceira vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República Augusto Aras reagiu. Soltou uma nota oficial para informar que está "realizado" no cargo atual. E sente "desconforto" com a vinculação do seu nome a uma poltrona inexistente de ministro da Suprema Corte.

A nota divulgada pela Procuradoria diz: "Conquanto seja uma honra ser membro dessa excelsa Corte, o PGR sente-se realizado em ter atingido o ápice de sua instituição, que também exerce importante posição na estrutura do Estado."

Deve-se a manifestação a declarações feitas na véspera por Jair Bolsonaro. Em transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente afirmara: "Se aparecer uma terceira vaga —espero que ninguém desapareça—, mas o Augusto Aras entra fortemente na terceira vaga."

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada por ordem de Augusto Aras, sob o título "Manifestação do PGR sobre veiculação acerca de vaga no Supremo Tribunal Federal":

"O procurador-geral da República, Augusto Aras, manifesta seu desconforto com a veiculação reiterada de seu nome para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Conquanto seja uma honra ser membro dessa excelsa Corte, o PGR sente-se realizado em ter atingido o ápice de sua instituição, que também exerce importante posição na estrutura do Estado.

Ao aceitar a nomeação para a chefia da Procuradoria-Geral da República, não teve o atual PGR outro propósito senão o de melhor servir à Pátria, inovar e ampliar a proteção do Ministério Público Federal e oferecer combate intransigente ao crime organizado e a atos de improbidade que causam desumana e injusta miséria ao nosso povo.

O PGR considerar-se-á realizado se chegar ao final do seu mandato tão somente cônscio de haver cumprido o seu dever."

Investigado no Supremo Tribunal Federal sob a acusação de intervir politicamente na Polícia Federal, Bolsonaro está, por assim dizer, nas mãos de Aras, a quem cabe denunciar o presidente ou arquivar o inquérito. Também na noite desta sexta, depois dos ruídos que sua manifestação provocou, o presidente fez uma concessão ao recato.

"Conforme afirmei em 'live', e com todo o respeito que tenho pelo senhor PGR, Augusto Aras, não cogito indicar o seu nome para essas vagas", anotou o presidente nas redes sociais, referindo-se às vagas que serão abertas no Supremo durante o seu mandato, com as aposentadorias dos ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello.

Josias de Souza