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Veja por que TSE reabriu ações contra Bolsonaro

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

01/07/2020 20h23

É pequena, muito pequena, praticamente inexistente a chance de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão por conta das duas ações que o Tribunal Superior Eleitoral decidiu reabrir para a coleta de provas. Ambas se referem à invasão de um site de mulheres anti-bolsonaro na campanha de 2018.

É preciso resumir a encrenca para entender o que se passa. A invasão desse site das mulheres contrárias a Bolsonaro foi investigada num inquérito policial instaurado na Bahia. O relator do processo no TSE, ministro Og Fernandes, requisitou cópia do inquérito. Descobriu-se que não tinha sido feita nenhuma perícia. Os autores das ações, os ex-candidatos Marina Silva e Guilherme Boulos, pediram que fosse feita no TSE a perícia que a polícia baiana não fez. O objetivo é saber se a campanha de Bolsonaro está por trás do hackeamento.

O relator indeferiu a realização dessa prova. E, depois, julgou improcedente o pedido de cassação da chapa por falta de provas. Numa votação apertada, 4 votos a 3, a maioria dos ministros do TSE entendeu que não era possível negar a realização da prova e depois julgar as ações improcedentes por falta de prova. Por isso, abriu-se prazo para que a perícia seja feita.

Daí à cassação da chapa vai uma distância imensa. Ainda que se confirmasse que a chapa encabeçada por Bolsonaro financiou a invasão cibernética, seria necessário demonstrar que a simples modificação do conteúdo de um site seria suficiente para alterar o resultado de uma eleição presidencial, o que parece improvável. Portanto, a chance de cassação da chapa por conta dessas ações é praticamente inexistente. O que inquieta Bolsonaro é que há meia dúzia de outras ações de cassação tramitando no TSE, o que mantém a corda esticada.

Josias de Souza