PUBLICIDADE
Topo

Josias de Souza

Paulo Guedes voa para os EUA e pousa na Lua

REUTERS
Imagem: REUTERS
Conteúdo exclusivo para assinantes
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

13/10/2021 12h22

A maior distância do universo para um gestor público é aquela que começa nos erros cometidos no pedaço da gestão que já passou e termina nas promessas de acertos futuros insuscetíveis de checagem. Às voltas com essa travessia entre os erros palpáveis que não admite ter cometido e os acertos imateriais que não sabe se cometerá, Paulo Guedes voou para os Estados Unidos. E aterrissou no mundo da Lua.

O ministro da Economia concedeu um par de entrevistas à CNN Internacional e à Bloomberg. Em ambas, falou sobre um Brasil desconhecido dos brasileiros. Alheio aos mais de 600 mil mortos por Covid, disse que o governo não errou na pandemia.

No Brasil de Guedes, 90% dos cidadãos já receberam uma dose de vacina; 60% estão totalmente imunizados. No país real, apenas 70% encontram-se parcialmente vacinados; 46,7% receberam duas doses de vacina.

Na realidade alternativa de Guedes, a tragédia sanitária é "ruído político". As reformas estruturais e a privatização fazem do Brasil a maior fronteira de investimento do mundo.

Vem aí, segundo Guedes, um plano bilionário para o meio ambiente. E um programa de renda mínima capaz de livrar os brasileiros pobres dos efeitos corrosivos da inflação dos alimentos e da conta de luz.

O ministro prometera zerar o déficit orçamentário no primeiro ano de governo. Hoje, pedala as dívidas judiciais. Dissera que desindexaria e desvincularia o Orçamento da União. Indexou-se ao orçamento secreto do centrão e vinculou-se ao comitê eleitoral de Bolsonaro. Acenara com o desenvolvimento. Entregou carestia.

Toda vez que Guedes fala sobre o futuro radioso de 2022, as pessoas se perguntam que fim levou 2019, futuro da campanha de 2018; ou 2021, futuro de 2019 e 2020.

É difícil ouvir o Posto Ipiranga falando sobre a pujança do Brasil sem reprimir uma espécie de sorriso interior. É como se uma voz no fundo da consciência dos brasileiros avisasse: "Cuidado, trata-se de um farsante, que mantém parte da fortuna a salvo de sua própria inépcia num paraíso fiscal caribenho"