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Josias de Souza

Sete candidatos da 3ª via não dão um Bolsonaro

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

25/11/2021 09h01

O que mais chama atenção no atual cenário eleitoral do Brasil não é a resistência nas pesquisas de Bolsonaro nem a pujança de Lula. O que impressiona é a debilidade daqueles que se apresentam como alternativa à polarização. Na sondagem mais recente, divulgada pelo site Poder 360, sete candidatos da chamada terceira via não dão um Bolsonaro. Seria razoável esperar que, numa conjuntura marcada pelo desgoverno de um personagem com os dois pés fincados no atraso, seus adversários estivessem numa situação mais favorável.

Lula se mantém na liderança. Se a eleição fosse hoje, chegaria na frente no primeiro turno, oscilando entre 34% e 36% das intenções de voto, conforme o cenário. Prevaleceria no segundo round sobre todos os rivais. Bolsonaro continua ostentando a segunda posição, variando de 27% a 29%. Não há um candidato competitivo na região que se convencionou chamar de centro. Juntos, os sete candidatos que ralam nessa área somam 25%.

Os presidenciáveis da terceira via só alcançam Bolsonaro se for adicionado ao congestionamento o percentual atribuído ao folclórico Cabo Daciolo, que oscila entre 2% e 3%. Aglomeram-se num intervalo que varia de zero a 9% Ciro Gomes, Sergio Moro, João Doria, Eduardo Leite, Henrique Mandetta, Alessandro Vieira e Rodrigo Pacheco.

Tocqueville ensina na sua obra "O Antigo Regime e a Revolução" o seguinte: "Não é indo sempre de mal a pior que se cai numa revolução." Significa dizer que a sociedade suporta qualquer infortúnio quando não enxerga uma porta de saída.

Por enquanto, afora a saída pela esquerda oferecida por Lula, o que há diante do eleitorado é uma via que conduz a um paredão. O fato de existirem vários candidatos dispostos a bater com a cabeça na parede para tirar Bolsonaro do segundo turno não significa que a parede vai virar uma porta.

Na política, sempre há a alternativa do diálogo. Mas as duas principais características da terceira via são o excesso de cabeças e a carência de miolos.