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Josias de Souza

Juízes e servidores da Justiça engrossam movimento por reajustes salariais

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

20/01/2022 19h37

Há uma ebulição sindical no setor público. Num instante em que mais de 40 categorias de servidores federais ameaçam deflagrar uma greve em fevereiro por reajustes salariais de até 28%, juízes e funcionários da Justiça decidiram levar os lábios ao trombone. Representantes da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário e do Ministério Público e da Associação dos Magistrados Brasileiros pressionam ministros do Supremo Tribunal Federal por aumentos.

Essa efervescência reivindicatória chega em hora imprópria, pois o desejo de engordar os contracheques não orna com a penúria dos cofres do Tesouro. Destoa também da realidade do mercado de trabalho privado, onde proliferam o desemprego, o subemprego e ocupações que submetem a maioria dos brasileiros a uma rotina em que sobra cada vez mais mês no fim do salário.

Os servidores estão sem aumentos há mais de três anos. Mas mantiveram os empregos e não sofreram redução nominal dos contracheques durante a pandemia. Em comparação com os brasileiros que ralam no setor privado, são privilegiados.

Duas curiosidades marcam a cruzada por reajustes. A primeira é que o movimento foi puxado pela elite do funcionalismo. A segunda é que a encrenca foi deflagrada por Bolsonaro. Ao reservar no Orçamento federal R$ 1,7 bilhão para reajustar os salários de policiais federais, o presidente atirou contra o pé do contribuinte, deflagrando um efeito dominó.

Como se tudo isso fosse pouco, descobriu-se que o Procurador-Geral da República Augusto Aras promoveu uma farra com verba pública. Há no Ministério Público Federal 1.145 procuradores. A pretexto de antecipar vantagens e quitar privilégios atrasados, Aras autorizou o pagamento de contracheques em dezembro que variaram de mais de R$ 100 mil a quase meio milhão de reais. Beneficiaram-se 720 procuradores. Um deles beliscou R$ 471 mil.

É como se as corporações públicas vivessem num país paralelo cujos habitantes não se enxergam como parte do problema. O Brasil real é que é o problema deles.