Josias de Souza

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Lula fornece matéria-prima para Bolsonaro reeditar a 'tática Lula'

Instado a comentar a delação de Mauro Cid numa entrevista em Nova Déli, Lula deu a impressão de que retomaria um velho hábito da diplomacia presidencial de evitar comentários sobre assuntos domésticos em viagens internacionais. "Não posso dar palpite sobre o que eu não conheço". Mas acabou entregando-se aos seus dons proféticos para prever o infortúnio do rival. Anteviu que o país terá "certeza" de que Bolsonaro estava "envolvido até os dentes" numa tentativa de golpe.

Lula fornece matéria-prima para a estruturação da reação do adversário. Uma reação que ele próprio inspirou. Bolsonaro e seus defensores planejam reeditar a tática usada por Lula contra a Lava Jato. Consiste basicamente em repisar a teoria da perseguição política, contestar o juiz que conduz os inquéritos, requerer a mudança de foro e lançar mão de questões processuais anular despachos e sentenças. Algo improvável, pois os casos correm no Supremo, dono da palavra final no Judiciário.

No momento, a defesa alega que Alexandre de Moraes não é o juiz natural das causas envolvendo Bolsonaro. Sustenta que a perda do mandato fez de Bolsonaro um réu de primeira instância. Os advogados se queixam de falta de acesso às novidades do inquérito, o que levaria a um cerceamento da defesa. Colocam em dúvida, de resto, a legitimidade da Polícia Federal de firmar acordos de delação.

Ao prever o inferno de Bolsonaro do alto da tribuna presidencial, Lula fertiliza o lero-lero da perseguição e deixa mal a Polícia Federal. Na hipótese de avançar a investigação sobre o envolvimento de Bolsonaro no 8 de Janeiro, não haverá força no universo capaz de deter a maledicência segundo a qual dados de um inquérito sigiloso da PF vazaram para o Planalto.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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