Josias de Souza

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Opinião

Nem Lula sabe onde fica o Brasil pacificado da propaganda oficial

Com boa propaganda pode-se vender qualquer coisa, até ovo sem casca. Mas a campanha publicitária lançada pelo Planalto no domingo exagera no slogan: "Um Brasil e um só povo". As peças que começaram a ser veiculadas na TV, no rádio e na internet vendem a ilusão de que um Brasil pacificado.

Na véspera, discursando para uma plateia de petistas, Lula previu que a eleição municipal de 2024 será marcada novamente pela polarização. Ensinou aos companheiros que não devem silenciar diante dos rosnados do bolsonarismo. "Não podem enfiar o rabo no meio das pernas. Quando um cachorro late para a gente, a gente late também".

Na campanha eleitoral, Lula apresentou-se como um fator de pacificação e de ideias novas. No segundo turno, sustentado por uma frente ampla pró-democracia, elegeu-se com pequena margem. No governo, manteve a língua em riste e reeditou antigos programas. Da frente ampla restou pouca coisa.

O Datafolha divulgado na semana passada mostrou que Lula continua falando bem com quem gosta dele: 38% aprovam o seu governo. Mas ainda não aprendeu a ouvir o outro: 30% o consideram ruim ou péssimo; outros 30% acham o governo regular. É esse contingente que o Planalto deseja capturar. O problema é que, dependendo do latido, a turma do "regular" pode mudar para qualquer lado.

Muitos brasileiros, depois de assistir aos comerciais do governo, podem ficar tentados a morar no Brasil da propaganda. Mas o desejo será mais intenso depois que Lula descobrir onde fica esse país idílico e pacificado, onde o diálogo substitui os latidos.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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