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Josmar Jozino

Número de presos infectados por covid-19 em SP cresceu 771% em quatro meses

Presos do CDP 1 (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros (zona oeste de São Paulo) - Caio Guatelli/Folhapress.
Presos do CDP 1 (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros (zona oeste de São Paulo) Imagem: Caio Guatelli/Folhapress.
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

07/11/2020 09h09Atualizada em 07/11/2020 16h37

Ao menos 10.023 dos quase 219 mil presos do estado de São Paulo foram infectados pelo coronavírus nas prisões subordinadas à SAP (Secretaria da Administração Penitenciária). Já são 34 os detentos mortos pela doença nos presídios paulistas.

No dia 7 de julho, o total de prisioneiros infectados —testados pelo PCR e exame rápido­— era de 1.150. Isso significa que nos últimos quatro meses houve um aumento de 771% no número de presos vitimados pela covid-19. Os mortos eram 15 no mesmo período e agora mais que duplicaram.

Segundo a SAP, os exames de PCR detectaram 982 presos infectados e os testes rápidos tiveram resultados positivos em outros 9.041. Os dados constam no site da SAP publicados na sexta-feira (6) e são atualizados diariamente.

Entre os funcionários do sistema prisional paulista, o teste de PCR apontou 1.079 infectados e o teste rápido mais 775, totalizando 1.854 servidores. A covid-19 causou a morte de 31 agentes penitenciários, chamados agora de policiais penais.

A SAP informou ao UOL que 65.711 pessoas, entre presos e funcionários, foram testadas no estado. A secretaria acrescentou que não houve óbitos por covid-19 entre mulheres e estrangeiros presos.

Já no site do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) constava, na noite de sexta-feira (6), que 36.132 presos foram infectados pelo coronavírus nas prisões brasileiras e que 121 morreram. Porém, os dados não estão atualizados, pois o órgão contabiliza 33 presos mortos em São Paulo, um a menos em relação ao número divulgado pela SAP.

Visitas são retomadas em São Paulo

Mesmo em meio à pandemia, a SAP anunciou a retomada das visitas presenciais na maioria das prisões paulistas a partir deste sábado (7). Só poderá entrar um visitante por preso, pelo período de duas horas.

A entrada será permitida apenas para pessoas com idades entre 18 anos e 59 anos. A proibição se estende para crianças, idosos, gestantes e pessoas com sintomas gripais.

Funcionários do sistema prisional foram orientados a medir a temperatura e saturação de oxigênio dos parentes de presos logo na entrada da unidade. Os visitantes deverão usar máscaras e higienizar as mãos.

Segundo a SAP, a retomada gradual e controlada das visitas presenciais faz parte da 3ª fase do projeto Conexão Familiar. A primeira etapa foi a criação de um sistema de troca de mensagens por email entre presos e seus parentes. Na segunda fase foram realizadas visitas virtuais.

Presídios federais seguem sem visita

O Ministério da Justiça e Segurança Pública suspendeu as visitas nas prisões brasileiras em meados de março deste ano para combater a possível proliferação de coronavírus entre presos e servidores.

Nos presídios federais, onde estão recolhidos chefes de facções criminosas e de milícias, as visitas continuam suspensas. O contato dos detentos com familiares é feito por meio de uma carta virtual de três linhas no máximo e ainda submetida à censura pela direção de cada unidade prisional.

No estado de São Paulo, a Justiça autorizou a retomada das visitas presencias em 175 das 177 penitenciárias. As exceções por enquanto são Taquarituba, que depende de decisão judicial, e Paraguaçu Paulista, não liberada por entendimento da equipe médica.

Em nota enviada na tarde deste sábado, o Governo do Estado contesta as informações da coluna, e afirma que "a SAP aplicou todas as medidas de higiene e distanciamento preconizadas pelos órgãos de saúde desde o início da pandemia, como a distribuição de material de proteção individual (EPIs) a seus servidores, entre máscaras, luvas, aventais e produtos para higienização das mãos, como o álcool gel. Os presos também recebem kit de higiene, além de máscaras".

Leia a íntegra da nota abaixo

A Secretaria da Administração Penitenciária esclarece que a matéria omite informações ao leitor. Graças às medidas tomadas pela Pasta, a evolução da COVID-19 tem sido muito mais lenta nos presídios do estado de São Paulo. Atualmente, a taxa de letalidade entre esses presos está em 0,34%, muito menor que a letalidade entre a população em geral no país, atualmente em 2,9%.

A SAP aplicou todas as medidas de higiene e distanciamento preconizados pelos órgãos de saúde desde o início da pandemia, como a distribuição de material de proteção individual (EPIs) a seus servidores, entre máscaras, luvas, aventais e produtos para higienização das mãos, como o álcool gel. Os presos também recebem kit de higiene, além de máscaras.

Além disso, diferente do que apresenta a reportagem, os demais sistemas penitenciários do país já retomaram as visitas presenciais: nos estados vizinhos como Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, as visitas presenciais já foram retomadas desde setembro, assim como na maioria das unidades da federação. A comparação feita entre São Paulo e o sistema federal é totalmente descabida, pois trata-se de uma rede de presídios muito menor e de perfil muito diferente da estadual.