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Josmar Jozino

Ex-major, chefe do tráfico vivia em casa de 2 milhões de euros na Espanha

O ex-policial militar Sérgio Roberto de Carvalho, 62, conhecido como Major Carvalho - Reprodução/Ministério da Segurança Pública
O ex-policial militar Sérgio Roberto de Carvalho, 62, conhecido como Major Carvalho Imagem: Reprodução/Ministério da Segurança Pública
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

25/11/2020 04h02

O ex-policial militar Sérgio Roberto de Carvalho, 62, conhecido como Major Carvalho, chefe do bilionário esquema de exportação de cocaína do Brasil para a Europa revelado esta semana por operação da PF (Polícia Federal), levava uma doce vida em Marbella, província de Málaga, o mais belo e famoso balneário da Andaluzia, Espanha.

Conforme antecipou com exclusividade a coluna, Major Carvalho é o principal alvo da Operação Enterprise, que teve alvos em dez estados brasileiros e em Espanha, Portugal, Colômbia e Emirados Árabes Unidos.

Carvalho morava em uma casa avaliada em 2,2 milhões de euros. Ele também tinha dois apartamentos em Lisboa, capital de Portugal, e uma empresa em Dubai, nos Emirados Árabes.

O major chefiava seis núcleos do esquema criminoso. O mais importante era o da região de São José do Rio Preto (SP), responsável pelas aeronaves e transportes aéreos da droga. Sílvio Berri Júnior, o chefe dos pilotos de Carvalho, é um dos presos na operação Enterprise.

Até ao final da tarde desta terça-feira (24), Carvalho continuava foragido e procurado pela Interpol. Agentes federais cumpriram mandados de busca em 13 endereços dele no Brasil, Espanha, Portugal e Emirados Árabes.

O gerente do tráfico possuía vários passaportes falsificados e enganou as autoridades espanholas quando foi preso em agosto de 2018 por policiais da Galícia (região espanhola) sob a acusação de tráfico internacional de drogas.

Quase duas toneladas de cocaína em navio

O narcotraficante brasileiro foi acusado de ser o dono de 1.700 kg de cocaína apreendidos no navio Titan III. Carvalho, natural de Ibiporã, no Paraná, e radicado no Mato Grosso do Sul, deu nome falso de Paul Wouter, nascido no Suriname, e acabou solto poucos meses depois.

Dono de um jatinho, o Major Carvalho viajava com frequência da Espanha para Portugal. Segundo a Polícia Federal, o criminoso é proprietário de uma empresa na avenida da República, em Lisboa.

Foi na capital portuguesa, em uma operação conjunta entre policiais federais brasileiros e lusitanos, que agentes apreenderam na segunda-feira (23), 11 milhões de euros escondidos em uma van. O dinheiro, segundo as investigações, era da quadrilha do major.

O criminoso tinha também o hábito de usar a aeronave particular para viajar até Dubai. A PF apurou que Carvalho tem uma empresa naquele país, denominada PWT General Trading. As três primeiras letras podem ser referência ao nome falso Paul Wouter, usado por ele.

Casa onde vivia o Major Carvalho em Málaga, na Espanha. Imóvel é avaliado em dois milhões de euros - Reprodução - Reprodução
Casa onde vivia o Major Carvalho em Málaga, na Espanha. Imóvel é avaliado em 2 milhões de euros
Imagem: Reprodução

Exportação para seis países da Europa

A Operação Enterprise apontou que a organização criminosa liderada pelo Major Carvalho enviou 45 toneladas de cocaína para a Europa a partir de 2017. As remessas de drogas foram avaliadas em R$ 2,25 bilhões.

A cocaína era enviada pelos portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e outras cidades do Sul e Nordeste. O destino dos entorpecentes eram oito portos em seis países europeus: Antuérpia, na Bélgica; Gióia Tauro e Livorno, na Itália; Hamburgo, Alemanha; Barcelona e Algeciras, na Espanha; Lisboa, Portugal; e Le Havre, na França.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.