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Josmar Jozino

Foragidos após saidinha em SP são gerentes do PCC na Bolívia, aponta MP

Valdeci Alves dos Santos, 49, o Colorido, e Odair Lopes Mazzi Júnior, 39, conhecido como Vini ou Argentina - Reprodução
Valdeci Alves dos Santos, 49, o Colorido, e Odair Lopes Mazzi Júnior, 39, conhecido como Vini ou Argentina Imagem: Reprodução
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

02/02/2021 04h02Atualizada em 03/02/2021 13h55

Dois gerentes do PCC (Primeiro Comando da Capital) na Bolívia deixaram a prisão em São Paulo beneficiados pela saidinha temporária e hoje negociam cocaína no país vizinho em nome da facção, para envio ao Brasil.

Valdeci Alves dos Santos, 49, o Colorido, e Odair Lopes Mazzi Júnior, 39, conhecido como Vini ou Argentina, foram denunciados pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo) na Operação Shark, em setembro de 2020, por associação a organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Promotores de Justiça do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), órgão do MP, acreditam que Colorido e Odair estejam refugiados na Bolívia com outros narcotraficantes ligados ao PCC.

Os advogados dos réus citados alegam que não há materialidade comprobatória sobre os crimes aos quais os denunciados são acusados e o que existem são apenas suposições. Bruno Ferullo, advogado de Valdeci, afirma que seu cliente não é traficante de drogas e nem integra o crime organizado, e está sendo acusado com "imputação genérica e infundada".

O MP aponta que Colorido foi liberado do CPP (Centro de Progressão Penitenciária) de Valparaíso (SP) em 13 de agosto de 2014. Era a saidinha temporária do Dia dos Pais.

Argentina deixou a Ala de Progressão Penitenciária de Álvaro de Carvalho (SP) pela porta da frente em 12 de maio de 2003. Era a saída temporária do Dia das Mães.

Fugas em saidinha são exceção, aponta SAP

Segundo a SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária), uma média de 5% dos aproximadamente 30 mil detentos liberados em saidinhas não voltam à prisão e são considerados evadidos.

A Lei de Execução Penal prevê cinco saídas temporárias no ano para presos em regime semiaberto com bom comportamento e que já cumpriram um sexto da pena, no caso dos primários, e um quarto, no caso de reincidentes. Os beneficiados podem deixar a prisão no Natal/Ano Novo, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças ou Finados.

Além de Colorido e Argentina, outros seis integrantes do PCC também denunciados na Operação Shark continuam foragidos.

Colorido e Argentina preenchiam todos os requisitos exigidos pela Lei de Execução Penal para serem beneficiados com a saída temporária da prisão e por isso foram liberados pela Justiça.