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Josmar Jozino

PM da Rota mente na delegacia e é preso acusado de tentativa de homicídio

Policial da Rota no centro de São Paulo - WILLIAN MOREIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Policial da Rota no centro de São Paulo Imagem: WILLIAN MOREIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

21/03/2021 23h00Atualizada em 21/03/2021 23h00

Câmeras de segurança de um edifício localizado na rua Doutor Elias Chaves, em Santa Cecília, no centro da Capital, desmentiram a versão do sargento Marcos Antonio Freire, 47, da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), unidade de elite da Polícia Militar.

O sargento se apresentou no início da manhã de domingo (21), no 2º Distrito Policial (Bom Retiro), e contou que um homem armado acompanhado por um casal tentou roubá-lo na rua Guaianazes. O PM acrescentou que para tentar cessar a injusta agressão sacou a pistola calibre 40 da Polícia Militar e efetuou um disparo.

Na versão do sargento, a tentativa de assalto aconteceu quando ele caminhava na rua Guaianazes, onde diz morar, em direção a um estacionamento, onde pegaria seu carro para buscar a mulher no serviço. Segundo o PM, ela também é policial militar. Freire não soube explicar se o disparo havia acertado alguém.

O sargento já tinha contado a mesma história para os dois policiais militares que foram atender a ocorrência de disparo de arma de fogo. A delegada de plantão ouviu Freire atentamente. Depois ela foi ao local dos fatos com uma equipe de investigadores.

A delegada também checou o Detecta, um sistema de monitoramento composto por câmeras de segurança integrado a bancos de dados das Polícias Civil e Militar. Ela apurou que havia três alertas informando sobre disparo de arma de fogo na rua Guaianazes.

O terceiro alerta foi feito às 5h32 por uma gerente administrativa de 50 anos, moradora em um prédio em Santa Cecília. Ela foi localizada e contou à Polícia Civil que viu um homem de camiseta vermelha discutindo com outro homem.

O homem de vermelho estava com uma mulher trajando calça jeans e blusa preta e com um amigo usando camiseta azul. "Você vai atirar? A gente está perto da favela. Você vai atirar?", teria indagado o de vermelho para uma pessoa com arma em punho. A favela mencionada é a do Moinho.

Em seguida a gerente administrativa ouviu o disparo e viu a mulher caída no chão. A delegada de plantão analisou as imagens de câmeras de segurança da região. As gravações mostram um homem de camisa amarela se aproximando da mulher baleada, ferida na região do abdômen.

Segundo a Polícia Civil, as imagens com a dinâmica do caso comprovam que o homem de amarelo é o sargento Freire. Ele aparece no vídeo se abaixando e recolhendo um objeto, que segundo a delegada, seria um cartucho da munição ainda não encontrado. A arma entregue por ele tinha 14 cartuchos intactos.

No boletim de ocorrência consta que foram realizadas buscas nos hospitais da Barra Funda, Mandaqui e Santa Casa, na tentativa de encontrar uma mulher baleada. No documento é mencionado que ela não havia sido localizada.

Em nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública informou que o sargento Freire foi autuado em flagrante e encaminhado para o Presídio Militar Romão Gomes. A nota diz que as diligências prosseguem para localizar a vítima e que a ocorrência foi registrada no 2º DP sem incidentes.

A defesa do sargento Marcos Antonio Freire foi procurada pelo UOL na noite desse domingo, mas não quis se manifestar sobre o caso.