PUBLICIDADE
Topo

Josmar Jozino

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ex-soldado do Exército acusado de ser armeiro do PCC é condenado a 20 anos

Manoel Renan Resende dos Santos, o ex-soldado do Exército acusado pela Polícia Civil de ser do PCC  - Reprodução/Polícia Civil
Manoel Renan Resende dos Santos, o ex-soldado do Exército acusado pela Polícia Civil de ser do PCC Imagem: Reprodução/Polícia Civil
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

17/03/2021 04h00Atualizada em 17/03/2021 12h37

A Justiça condenou a 20 anos de prisão o ex-soldado do Exército Manoel Renan Resende dos Santos, 26, acusado pela Polícia Civil de ser o armeiro do PCC (Primeiro Comando da Capital) em Santos, um dos principais redutos na atualidade da maior facção criminosa do Brasil. Cabe recurso à decisão.

O ex-soldado foi preso em 10 de junho do ano passado após denúncia anônima. Segundo investigações da Polícia Civil, ele fazia manutenção de armas, montagens de explosivos e também dava treinamentos militares para traficantes de drogas e integrantes do PCC na Baixada Santista.

Na casa de Resende, os policiais afirmam ter apreendido uma pistola Glock 9mm, munições de fuzil, granada, rádio comunicador, 400 gramas de cocaína, contabilidade do tráfico de drogas e fardamento do Exército.

Material que a Polícia Civil diz ter apreendido na casa do ex-soldado do Exército Manoel Renan Resende dos Santos, 26, acusado pela Polícia Civil de ser o armeiro do PCC  - Reprodução/Polícia Civil - Reprodução/Polícia Civil
Material que a Polícia Civil diz ter apreendido na casa do ex-soldado do Exército Manoel Renan Resende dos Santos
Imagem: Reprodução/Polícia Civil

As investigações apontaram ainda que o ex-soldado também era o responsável pela vigilância e segurança de vários pontos de drogas de traficantes do PCC, onde costumava ser visto portando armas longas, principalmente fuzil.

Em depoimento em juízo, Resende negou todas as acusações. Ele disse que estava dormindo quando investigadores entraram na casa dele. Afirmou que apanhou dos policiais e que a droga e as armas apreendidas em sua residência foram "plantadas" pela polícia.

Resende acrescentou que ficou no Exército por quatro anos, mas não explicou o motivo da saída. E em seguida ressaltou que os policiais "lhe imputaram falsamente as posses da droga, do armamento, das munições e demais objetos apreendidos".

A defesa do ex-militar sustenta que não existe fotos, escutas telefônicas, provas testemunhais ou anotações suspeitas que denotem a ocorrência de conduta criminosa praticada por Resende.

As alegações feitas pela defesa do ex-soldado não convenceram o juiz Leonardo de Mello Gonçalves, da 2ª Vara Criminal de Santos. Para o magistrado, Resende "recebeu treinamento do Exército brasileiro e não fez bom uso disso".

No entendimento do juiz, o ex-soldado "se dedicou a ensinar criminosos a manusear armamentos para proteger a organização criminosa e atacar policiais".

Boné do Exército com o sobrenome do ex-soldado Manoel Renan Resende dos Santos - Reprodução/Polícia Cicil - Reprodução/Polícia Cicil
Boné do Exército com o sobrenome do ex-soldado Manoel Renan Resende dos Santos
Imagem: Reprodução/Polícia Cicil

Na sentença prolatada no último dia 9, o magistrado também fez a seguinte observação em relação ao réu: "Não soube aproveitar a chance que teve nas Forças Armadas e se enveredou pelo caminho errado". Resende foi condenado pelos crimes de posse ilegal de arma, tráfico de drogas e associação à organização criminosa.

Segundo o MPE (Ministério Público Estadual), a Baixada Santista é um dos mais importantes redutos do PCC por causa do porto de Santos. É de lá que são enviadas toneladas de drogas, especialmente cocaína, para a Europa. O tráfico de drogas é a atividade principal da organização.

Documentos apreendidos pelo MPE com integrantes do Primeiro Comando da Capital mostram que o grupo envia ao menos uma tonelada de cocaína por mês para várias cidades europeias.