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Josmar Jozino

Polícia Civil investiga se PCC roubou 52 pistolas Glock em São Paulo

Daniel Neri /  Arte UOL - Reprodução do documentário "PCC - Primeiro Cartel da Capital"
Imagem: Daniel Neri / Arte UOL - Reprodução do documentário "PCC - Primeiro Cartel da Capital"
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

15/09/2021 09h50

A Polícia Civil de São Paulo investiga se o PCC (Primeiro Comando da Capital) está por trás do roubo de 52 pistolas Glock de diversos calibres, avaliadas em R$ 372.461,89, realizado na manhã de ontem em Osasco, na Grande São Paulo.

As armas de fogo estavam em poder da Olicap Transportes e seriam entregues para diversos lojistas do interior de São Paulo. O roubo aconteceu às 7h45, no Jardim Elvira.

O motorista da Olicap, de 57 anos, e o ajudante, de 60, se preparavam para sair da empresa em um Fiat Doblò quando foram abordados na garagem por dois homens. Os criminosos anunciaram o assalto e exigiram a chave do veículo.

Os ladrões ameaçaram matar as vítimas. Um deles fugiu no Fiat Doblò e o outro assaltante em um automóvel modelo Sedan, branco, cujas placas não foram anotadas pelas vítimas.

O veículo da transportada foi encontrado poucas horas depois na rua Pardinho, altura do número 693, no bairro Jardim Munhoz Júnior, também em Osasco, distante apenas 1,4 km do local onde as armas foram roubadas.

O caso foi registrado no 10º DP de Osasco. A Polícia Civil não tem dúvida de que os criminosos não queriam roubar o Fiat Doblò, mas sim as pistolas Glock.

Policiais acreditam que os dois assaltantes tinham informações privilegiadas sobre a carga, sobre o horário que os funcionários sairiam da empresa para fazer a entrega e também sabiam que o Fiat Doblò não seria escoltado.

Investigadores foram ao local do crime em busca de possíveis pistas dos ladrões. Na rua onde aconteceu o assalto foram encontradas câmeras de segurança em um endereço. Os policiais, no entanto, não conseguiram contatar o proprietário do imóvel durante o dia.

Moradores de casas vizinhas à transportadora também foram ouvidos pela Polícia e disseram que não notaram movimentação estranha na rua nem no bairro nesta semana.

Por determinação do delegado Otávio Pereira Alvariz, a Polícia Federal e o Comando da 2ª Região Militar do Exército foram comunicados sobre o roubo por meio de ofícios.

Crime Organizado

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de participação do PCC ou então de assaltantes ligados à facção no roubo das pistolas.

Investigadores disseram à coluna, na condição de não terem o nome divulgado, que a organização costuma cometer esse tipo de crime para reforçar o arsenal e até mesmo para alugar armas.

Um policial afirmou que o PCC, além de protagonizar grandes roubos com participações de faccionados, também fornece armamento, principalmente para quadrilhas de ladrões de banco, muitas vezes formadas por criminosos que não integram a organização, mas são apenas "simpatizantes".

As pistolas roubadas são de calibres 9mm, 40 e 380. Segundo consta no boletim de ocorrência, para cada uma das 52 pistolas havia três carregadores, também levados pela dupla de ladrões.

As armas seriam entregues em lojas de artigos esportivos e em clubes de tiro nas regiões de Campinas, Santa Bárbara d'Oeste, Pirassununga, entre outras cidades do Interior paulista.

As disputas por poder e dinheiro dentro da principal organização criminosa do Brasil são narradas na segunda temporada do documentário do "PCC - Primeiro Cartel da Capital", produzido por MOV, a produtora de documentários do UOL, e o núcleo investigativo do UOL.