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Josmar Jozino

Forças policiais estão há um ano sem pistas do narcotraficante André do Rap

Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

12/10/2021 17h57

As Polícias Civil e Militar do estado de São Paulo e a Polícia Federal estão há um ano sem pista do narcotraficante André Oliveira Macedo, 43, o André do Rap, foragido da Justiça desde o dia 10 de outubro do ano passado, quando saiu da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP) pela porta da frente.

Condenado a 15 anos e seis meses por tráfico internacional de drogas, André do Rap foi solto graças a um habeas corpus concedido pelo então ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello. A liberdade dele foi cassada pela própria Suprema Corte, horas depois, mas já era tarde.

Ao assinar o alvará de soltura, o narcotraficante forneceu como endereço um imóvel no Guarujá, na Baixada Santista. Ele prometeu ir para a casa. Segundo investigações policiais, ele tomou outro rumo, foi de carro para o Paraná e de lá sumiu.

As suspeitas do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente, subordinado ao Ministério Público do estado de São Paulo, são de que André do Rap esteja escondido na Bolívia junto com outros narcotraficantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).

André do Rap estava preso desde 14 de setembro do ano passado. Ele foi capturado por policiais civis em um condomínio de luxo em Angra dos Reis, no litoral sul fluminense. Na casa de alto padrão havia dois helicópteros e um iate de 60 pés avaliado em R$ 6 milhões.

Foram presos ainda no mesmo imóvel Luciano Hermenegildo Pereira, 42, e Jefferson Moreira da Silva, 35. Assim como André do Rap, ambos também foram condenados pela Justiça Federal a 15 anos e seis meses por tráfico internacional de drogas.

Estavam na casa a ex-mulher de André do Rap e outros quatro amigos, além de dois pilotos de helicóptero e um marinheiro. Policiais civis apreenderam no local 32 aparelhos de telefone celular.

Os três réus foram identificados e investigados durante a Operação Oversea, da Polícia Federal. Os agentes apuraram que André do Rap liderava uma quadrilha responsável pelo envio de toneladas de cocaína para a Europa, via Porto de Santos.

Despedida na prisão

Acusado de ser um dos maiores traficantes internacionais de cocaína ligado ao PCC, André do Rap gozava de prestígio entre os presidiários da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.

No dia em que ganhou a liberdade, vestido todo de branco, o prisioneiro se despediu da população carcerária no Pavilhão 1 da unidade prisional. Ele foi de cela em cela e deu adeus para todos os detentos daquela ala.

Anderson dos Santos Domingues e Áureo Tupinambá, advogados de André do Rap, foram ouvidos hoje pela coluna e disseram que o cliente é inocente de todas as acusações.

Os defensores reiteraram à reportagem que as nulidades decorrentes da Operação Oversea serão devidamente demonstradas no curso do procedimento criminal e que a inocência de André do Rap será definitivamente comprovada.

As disputas por poder e dinheiro dentro da principal organização criminosa do Brasil são narradas na segunda temporada do documentário do "PCC - Primeiro Cartel da Capital", produzido por MOV, a produtora de documentários do UOL, e o núcleo investigativo do UOL.