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Josmar Jozino

PCC leva mais de R$ 1 bilhão nos seis maiores roubos realizados no Brasil

Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

02/12/2021 04h00

Investigações conduzidas por policiais civis e federais apontam que assaltantes ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior facção criminosa do país, planejaram e tiveram participação nos seis maiores roubos e ataques a bancos da história do Brasil.

Vale lembrar que o criminoso apontado pelas autoridades como o atual chefe da organização — Marco Willians Herbas Camacho, 53, o Marcola — era considerado um dos maiores assaltantes de bancos do país nos anos 1990. Marcola sempre negou todas essas acusações.

As ações aconteceram nos estados do Ceará, Santa Catarina e São Paulo entre os anos de 2005 e 2020. Nesse intervalo de 15 anos, os ladrões do PCC levaram, nos seis ataques, R$ 1 bilhão em dinheiro, ouro e joias roubados e furtados de bancos e do terminal de cargas do aeroporto internacional de Guarulhos.

O último grande assalto aconteceu em 30 de novembro do ano passado em Criciúma, Santa Catarina, e foi um dos mais violentos.

Segundo a Polícia Civil foram roubados R$ 125 milhões do SERET (Serviço Regional de Tesouraria) do Banco do Brasil.

Um grupo de 30 ladrões causou medo e terror à população da cidade durante duas horas. Foram disparados muitos tiros de fuzis e metralhadoras. Os criminosos bloquearam ruas e cruzamentos, fizeram reféns, incendiaram veículos e sitiaram o 9º Batalhão da Polícia Militar.

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Centro de Criciúma após o assalto que teve participação de integrantes do pcc
Imagem: Reuters

O bando queimou um caminhão com explosivos na entrada do quartel da PM. Houve confronto e o soldado da policial militar Jeferson Luiz Esmeraldino, 33, ficou gravemente ferido ao ser atingido por um tiro de fuzil. Os assaltantes usaram 10 veículos blindados para chegar à tesouraria do banco, na avenida Getúlio Vargas.

Antes de fugir, a quadrilha deixou explosivos espalhados pela cidade e ao redor da agência bancária. Os artefatos podiam ser detonados à distância, por controle remoto. As forças de segurança identificaram 16 pessoas acusadas de participar do crime e prenderam 12 delas.

Dos 16 identificados, 13 moravam em São Paulo e três em Santa Catarina. A Polícia Civil apurou que os mentores do assalto foram Márcio Geraldo Alves Ferreira, 39, o Buda, Francisco Aurílio da Silva de Melo, 56, o XT, e André Luiz Meza Costa, 46, apontados como integrantes do PCC.

Os três são de São Paulo e, de acordo com seus advogados, eles jamais fizeram parte do PCC. Buda está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR) e XT e Meza, na Penitenciária de Mossoró (RN).

Ação semelhante em Ourinhos

Seis meses antes do roubo de Criciúma, em 2 de maio de 2020, a população de Ourinhos (SP) também passou por momentos de pânico e terror em uma ação semelhante. Uma quadrilha formada por ao menos 40 pessoas usou explosivos para roubar o SERET do Banco do Brasil.

As bases policiais da cidade foram cercadas. Os criminosos fizeram reféns e balearam uma vítima na perna. O bando fugiu levando R$ 50 milhões. Peritos da Polícia Federal colheram impressões digitais nos cilindros de oxigênio e respiradores usados pelos criminosos durante as explosões.

Agentes federais identificaram Tiago Ciro Tadeu Faria, 38, o Gianechini", como um dos autores do roubo. Ele está preso na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP), um dos mais fortes redutos do PCC.

A defesa de "Gianechini" diz que ele é inocente, não tem envolvimento com apreensão de explosivos, não participou de nenhum assalto, encontrava-se em casa no dia do roubo e, portanto, não poderia estar na cena do crime.

Barras de ouro

Mas, segundo a PF, a quadrilha de "Gianechini" tem ligações com o bando de Francisco Teotônio da Silva Pasqualini, 56, conhecido como "A mente do crime", apontado como integrante do PCC e como mentor do roubo de 734 kg de ouro do terminal de cargas do aeroporto internacional de Guarulhos.

O assalto aconteceu em 25 de junho de 2019. As barras de ouro e joias levadas pelos ladrões foram avaliadas em R$ 117,5 milhões.

A Justiça condenou quatro assaltantes acusados de envolvimento no crime. Francisco recebeu uma pena de 39 anos e sete meses.

As investigações da PF constataram que Marcelo José de Lima, 45, o Febronho, que também participou do roubo de ouro em Guarulhos, atuou em um assalto milionário contra a Prosegur no Paraguai, em 24 de abril de 2017. Ele foi preso em novembro de 2019 e morreu de câncer no ano passado.

Nove meses antes do roubo à Prosegur do Paraguai, ladrões explodiram a sede da mesma empresa na cidade de Ribeirão Preto (SP) e roubaram R$ 51 milhões. A ação deixou dois mortos. Um deles era policial militar.

O líder do bando, Diego Moura Capistrano, 37, o "Jovem", foi apontado pela Polícia Civil paulista e pelo Ministério da Justiça como o mentor do assalto em Ribeirão Preto e como suspeito ao ataque da Prosegur no Paraguai.

A Justiça o condenou a 136 anos. Antes de ser preso na região de Belo Horizonte (MG), em novembro de 2020, "Jovem" sacou R$ 600 do auxílio emergencial do governo federal, segundo reportagem do Fantástico.

Túnel e cofres

Outros dois grandes crimes de repercussão atribuídos a integrantes do PCC aconteceram, respectivamente, em 28 de agosto de 2011, contra o Itaú da avenida Paulista (SP) e em 6 de agosto de 2005 contra a agência do Banco Central de Fortaleza (CE).

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Jóias roubadas do assalto ao banco Itaú em São Paulo
Imagem: Divulgação

Assaltantes que cumpriram pena com integrantes do PCC renderam um vigia, arrombaram 161 cofres da agência do Itaú e roubaram R$ 500 milhões em joias, metais preciosos, canetas e relógios de ouro, dólares e outras moedas estrangeiras. Cinco réus foram condenados a 18 anos e oito meses de prisão. Esse foi o maior dos roubos.

Do Banco Central de Fortaleza, ladrões ligados ao PCC levaram R$ 164,7 milhões sem disparar um tiro. Foi o maior furto já registrado contra uma instituição financeira brasileira.

Para chegar ao cofre da agência, o bando alugou uma casa nas imediações e cavou um túnel de 80 metros de extensão. Eram tantas as cédulas furtadas que, empilhadas, elas chegariam a uma altura de 33 metros. Os assaltantes do PCC foram identificados, presos e condenados.

As disputas por poder e dinheiro dentro da principal organização criminosa do Brasil são narradas na segunda temporada do documentário do "PCC - Primeiro Cartel da Capital", produzido por MOV, a produtora de documentários do UOL, e o núcleo investigativo do UOL.