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Josmar Jozino

Sequestrador Andinho é condenado de novo e pena total aumenta para 717 anos

Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho - Reprodução/SAP/Governo de SP
Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho Imagem: Reprodução/SAP/Governo de SP
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

02/12/2021 13h59

A Justiça de São Paulo condenou hoje o sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, 42, o Andinho, a 12 anos de prisão pelo crime de associação à organização criminosa. A pena do criminoso agora passa a somar 717 anos de reclusão por todas suas condenações. Ele está preso desde fevereiro de 2002.

No mesmo processo, o juiz Gabriel Medeiros, da 1ª Vara Criminal de Presidente Venceslau (SP), também condenou a 12 anos de prisão em regime fechado o detento Fábio de Oliveira Souza, 45, conhecido como Fabinho Boy.

Segunda denúncia feita pelo MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) à Justiça, Andinho, Fabinho Boy e o preso Hamilton Luiz Pereira, 39, o Hidropônico, escreveram bilhetes dentro da prisão para os comparsas em liberdade, ordenando a morte de agentes públicos.

Na denúncia, o MP-SP diz que as mensagens determinavam o levantamento de endereços de agentes penitenciários e que a ordem era para matá-los simulando assaltos, para que as suspeitas não recaíssem sobre a organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

As correspondências orientavam ainda os comparsas nas ruas a anular os bloqueadores de celular instalados nas unidades prisionais para permitir a comunicação entre presos por meio de ligações telefônicas e aplicativos de mensagem.

Andinho, Fábio Boy e Hidropônico, condenado pelo mesmo crime também a 12 anos no ano passado, estavam presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, em 8 de junho de 2016, quando agentes encontraram os bilhetes após revistas realizadas no lado externo do Pavilhão 3 da unidade prisional.

Condenados alegaram inocência

Ao ser interrogado pelo magistrado durante audiência virtual, Andinho, acompanhado do advogado Pedro Renato Lúcio Marcelino, negou ter mandado matar agentes públicos. Também afirmou que não escreveu nenhum bilhete com essas ordens e acrescentou não integrar o PCC.

Andinho disse ao juiz que foi por causa dessas acusações que acabou transferido da P-2 de Presidente Venceslau para presídio federal. Ele ressaltou que não mandou matar ninguém e que o exame grafotécnico realizado para analisar se as letras dos bilhetes eram dele teve resultado negativo e que isso prova a sua inocência.

Ao ser ouvido em um presídio federal, em data anterior, Fabinho Boy também afirmou ser inocente. Ele disse que foi submetido a exame grafotécnico e que o resultado foi negativo.

Fabinho Boy declarou ainda que as blitze em sua cela eram constantes e que nenhum material ilícito foi encontrado em seu poder. E argumentou que a direção do presídio jamais o considerou um preso problemático.

As defesas de Andinho e de Fabinho Boy também sustentaram que os clientes são inocentes e que nas celas onde eles cumpriam pena não foi encontrado nenhum bilhete.

Segundo os defensores, não há provas contra os presos, já que os exames grafotécnicos realizados por peritos policiais concluíram que as mensagens não foram escritas por eles.

Andinho está preso na Penitenciária Federal de Brasília. Ele é condenado pelos crimes de sequestros, homicídios, roubos, tráfico de drogas, formação de quadrilha e associação à organização criminosa.

As disputas por poder e dinheiro dentro da principal organização criminosa do Brasil são narradas na segunda temporada do documentário do "PCC - Primeiro Cartel da Capital", produzido por MOV, a produtora de documentários do UOL, e o núcleo investigativo do UOL.