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Josmar Jozino

Drogas apreendidas devem ser filmadas, determina Polícia Civil de SP

Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil de São Paulo - Divulgação
Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil de São Paulo Imagem: Divulgação
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

20/01/2022 17h11

As apreensões de drogas, armas e valores realizadas pela Polícia Civil de São Paulo referentes à investigação devem ser registradas por meio de gravação audiovisual e de fotografias do ambiente completo do local onde a operação for realizada.

É o que determina a portaria de número 2 da DGP (Delegacia Geral de Polícia) publicada na edição de hoje do Diário Oficial do Estado. O policial que fizer a apreensão deve transmitir as imagens imediatamente ao seu superior hierárquico.

A determinação da DGP acontece em meio a rumores de que a Corregedoria da Polícia Civil abriu apurações preliminares para investigar o envolvimento de agentes do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) no desvio de drogas apreendidas com traficantes ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

Porém, o delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, informou à reportagem que essa determinação nada tem a ver com as apurações da Corregedoria e vem sendo planejada há dois anos, fazendo parte do projeto de desenvolvimento de informática da corporação, visando ainda dar maior transparência às operações policiais.

Segundo Fontes, a Polícia Civil comprou dois mil aparelhos de telefone celular para os policiais e as imagens das drogas, armas e dinheiro apreendidos deverão ser enviadas por aplicativo para o superior e automaticamente ficarão fixadas em uma central.

A assessoria de imprensa da SSP (Secretaria Estadual da Segurança Pública), havia informado à coluna que policiais da 2ª Delegacia de Crimes contra o Patrimônio e da 6ª Delegacia de Combate às Facções Criminosas, ambas do Deic, são alvos das apurações preliminares e foram afastados.

Três investigadores da 2ª Delegacia de Crimes contra o Patrimônio são investigados pelo Ministério Público de São Paulo por suspeitas de tráfico internacional de drogas. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) apurou que os agentes tentaram desviar meia tonelada de cocaína de traficantes.

As investigações do Gaeco mostram que o plano dos policiais civis fracassou. Os agentes não conseguiram interceptar a droga e a cocaína acabou apreendida em 26 de outubro de 2020 no porto de Santos escondida em meio a uma carga de açúcar.

Os três agentes também estão envolvidos no sequestro de Bruno Fernando de Lima Flor, o Armani, apontado pelo Gaeco como o chefe do departamento jurídico do PCC. Ele foi abordado pelos agentes em 24 de julho de 2020, na porta de casa, e levado para o cativeiro em uma sala na delegacia. O Gaeco apurou que os investigadores exigiram R$ 300 mil para libertá-lo.

Já policiais da 6ª Delegacia de Combate às Facções Criminosas são suspeitos de desviar 1,5 tonelada de cocaína de traficantes da Baixada Santista ligados ao PCC. Um áudio supostamente gravado pela facção criminosa menciona o nome do policial civil que teria desviado a droga e diz que ele não agiu sozinho e que todos os envolvidos seriam mortos.

A Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público também investigam se alguns dos policiais do Deic afastados estão envolvidos no sumiço de 900 kg de maconha do 1º DP (Sé), em agosto de 2018, e também no desaparecimento de 600 kg de maconha do 90º DP (Parque Novo Mundo), em 2019.

No caso do 90º DP, o furto da droga só foi descoberto porque no dia em que a maconha seria incinerada, uma promotora de Justiça desconfiou do peso em um dos envelopes e, ao abri-lo, constatou que dentro havia cacos de tijolo baiano, pó de madeira e gesso. Até hoje não há informações se os responsáveis pelo sumiço foram identificados e punidos.

As suspeitas do envolvimento de policiais no desvio de drogas de traficantes ligados ao PCC aconteceram também em meio à troca de comando no departamento. O delegado Fábio Pinheiro deixou o DHPP e assumiu o cargo de diretor-geral no Deic, em substituição ao colega Ismael Rodrigues, que passou a ser o titular da 4ª Delegacia Seccional (Norte).

Ferraz Fontes acrescentou que não há suspeitas contra o delegado Ismael Rodrigues e que as mudanças no Deic foram decididas em dezembro do ano passado. O delegado-geral ressaltou que não existe qualquer relação da troca de comando no Deic com as apurações preliminares instauradas este ano pela Corregedoria.