Josmar Jozino

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Justiça condena casal acusado de lavar R$ 23 milhões para irmão de Marcola

A Justiça condenou hoje Ciro César Lemos, 46, e a mulher dele Elidiane Saldanha Lopes Lemos, 41, acusados de serem "laranjas" em uma transportadora de veículos em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo — a empresa estaria ligada, na realidade, à liderança máxima do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo a Polícia Civil, há fortes indícios de que o casal atua junto de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, irmão de Marco Willians Herbas Camacho, 55, o Marcola, apontado como o número um da facção. Os dois irmãos estão presos na Penitenciária Federal de Brasília.

Ciro e Elidiane foram condenados por associação à organização criminosa e lavagem de dinheiro pelo juiz Deyvison Herberth dos Reis, da 3ª Vara Criminal de Presidente Venceslau. A mulher pegou uma pena de 11 anos e três meses e o marido, de 14 anos e 10 meses. Ambos estão foragidos.

O casal foi acusado de lavar R$ 23,7 milhões para o PCC. Elidiane, no entanto, dizia ser pobre e havia inclusive declarado ser beneficiária do programa social "Bolsa Família", destinado à distribuição de renda para pessoas carentes.

A Justiça determinou ainda o perdimento de todos os bens adquiridos em nome dos réus, como dezenas de caminhões, terrenos e imóveis.

A reportagem não conseguiu contato com os advogados dos acusados, mas o espaço continua aberto para manifestação.

Marido e mulher tiveram a prisão preventiva decretada em 10 de abril do ano passado. Ciro, um ex-presidiário, já foi condenado por tráfico de drogas e associação ao tráfico. De acordo com o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), cumpriu pena com presos do PCC.

Frota de 56 veículos

A empresa de Elidiane e Ciro, denominada Lopes Lemos Transportes, ficava nas proximidades da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde a alta cúpula do PCC cumpria pena até fevereiro de 2019, quando foi removida para presídios federais.

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A suspeita do MP-SP é de que os chefões máximos da facção tenham constituído a empresa para o casal, como forma de lavar dinheiro do tráfico de drogas, e também como estratégia para usar os veículos da transportadora em uma possível ação de resgate de presos na P-2 de Venceslau.

O Ministério Público apurou que a transportadora foi constituída em 2015 com um capital social de R$ 300 mil. Em 24 de outubro de 2019, esse montante atingiu a cifra de R$ 3,6 milhões. Em 19 de maio de 2020, Elidiane foi retirada da sociedade e o capital foi redistribuído para Ciro.

No período de 2015 a 2019, Ciro movimentou R$ 2,3 milhões; Elidiane, R$ 1 milhão e a transportadora, R$ 20 milhões — totalizando mais de R$ 23 milhões. A empresa do casal chegou a ter uma frota de 56 veículos, entre caminhões, tratores, semirreboques, carros e caminhonetes de luxo.

Atentados

O casal começou a ser investigado em 23 de julho de 2019, quando agentes penitenciários apreenderam um bilhete em poder de dois presos na cela 139, Pavilhão 1, da P-2 de Presidente Venceslau. Segundo o MP-SP, as mensagens falavam em atentados contra autoridades do sistema prisional.

Um dos alvos era o ex-diretor-geral do presídio, Luiz Fernando Negrão Bizzoto. Um dos trechos da mensagem dizia que "aquela mulher da transportadora" estava levantando o endereço dos servidores do sistema prisional marcados para morrer.

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O serviço de inteligência das forças de segurança analisou o material apreendido na cela e chegou ao nome da transportadora e ao casal dono da empresa. Foi apurado também que Ciro ficou preso em Presidente Bernardes, em 2006, junto com a alta cúpula do PCC.

As investigações apontaram ainda que Elidiane e Ciro levavam uma vida de luxo e costumavam fazer viagens internacionais para Miami e Orlando, na Flórida, Estados Unidos, e também para a Espanha, na Europa. O MP-SP suspeita que o casal esteja escondido na Bolívia.

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