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Juliana Dal Piva

NOTÍCIA

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Daniel Silveira atacou STF em vídeo para impressionar Jair Bolsonaro

Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

17/02/2021 11h29

O vídeo feito pelo deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), para atacar ministros do Supremo Tribunal Federal e que resultou no seu mandado de prisão, foi gravado com intenção de impressionar o presidente Jair Bolsonaro e seu entorno visando as eleições de 2022.

Pessoas próximas a Bolsonaro e ao deputado contaram à coluna que Silveira "não andava tão bem" com o presidente e seus assessores mais próximos. As discussões em torno das eleições do ano que vem e as possíveis trocas de partido teriam motivado dúvidas sobre o quanto Silveira se manteria fiel ao bolsonarismo.

Com isso, Silveira se sentiu na obrigação de dar uma "prova de lealdade" e o fez por meio das redes sociais, cumprindo a "cartilha do bolsonarismo". O deputado decidiu então fazer um vídeo em casa para entrar na defesa do general Villas Bôas que estava travando uma discussão pública com o ministro Edson Fachin.

No vídeo, que motivou a prisão, Silveira atacou não apenas Fachin, mas cinco ministros do STF. Em um trecho chegou a dizer: "Vá lá, prende Villas Bôas. Seja homem uma vez na tua vida, vai lá e prende Villas Bôas. Seja homem uma vez na tua vida, vai lá e prende Villas Bôas. Fala pro Alexandre de Moraes, o homenzão, o fodão, vai lá e manda ele prender o Villas Bôas. Vai lá e prende um general do Exército. Eu quero ver, Fachin. Você, Alexandre de Moraes, Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, o que solta os bandidos o tempo todo".

A coluna apurou que o vídeo foi, num primeiro momento, bem recebido no núcleo de bolsonaristas mais radicais, que o compartilharam em grupos de Whatsapp. No entanto, nenhum se manifestou publicamente para não criar problemas para o presidente Jair Bolsonaro com o STF. Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro não fizeram, até o momento, qualquer menção de apoio ou crítica ao vídeo ou à decisão do ministro Alexandre de Moraes de prender o deputado.

A avaliação entre bolsonaristas é que Silveira deve crescer politicamente após o episódio da prisão e pode chegar a disputar o eleitorado do deputado Hélio Lopes, conhecido como Hélio Negão, amigo íntimo do presidente Jair Bolsonaro.

O parlamentar e sua equipe estão, inclusive, gravando ao vivo cada movimento após a prisão. Foram feitos dois vídeos, um ainda em casa e outro dentro do IML no qual Silveira discute com uma funcionária para não usar máscara.

Ao ouvir os pedidos para colocar a proteção, Silveira se irritou e começou a discutir: "Não existe? A senhora não manda em mim não", disse, já exaltado. "Você acha que tá falando com vagabundo? Pior coisa que tem é militante petista", afirma ele, ao sugerir que foi reconhecido pela servidora e que ela estaria querendo "fazer um espetáculo".

Daniel Silveira está preso na Superintendência da PF no Rio. A coluna apurou que ele está em uma cela da carceragem da PF. Não é o mesmo local em que ficou o presidente Michel Temer quando esteve preso na unidade, já que presidentes possuem prerrogativa para uso de uma sala de estado. Temer ficou em um espaço que era a sala do corregedor.