PUBLICIDADE
Topo

Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bolsonaro observará novo comandante do Exército e não descarta mudanças

O almirante Almir Ganier, o ministro Braga Neto, o general Paulo Sérgio Nogueira e o brigadeiro Baptista Júnior - Alexandre Manfrim / Ministério da Defesa
O almirante Almir Ganier, o ministro Braga Neto, o general Paulo Sérgio Nogueira e o brigadeiro Baptista Júnior Imagem: Alexandre Manfrim / Ministério da Defesa
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

01/04/2021 14h17Atualizada em 01/04/2021 15h43

A decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo nome do general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira para o Comando do Exército demonstrou que ele cedeu às orientações de seus conselheiros mais próximos e entendeu que a crise com as Forças Armadas poderia se ampliar caso ele não seguisse o critério de antiguidade na escolha.

Interlocutores de Bolsonaro, porém, acreditam que o presidente vai estar de olho em cada movimento do novo comandante. Eles dizem que Bolsonaro observará o comportamento para ver se o general Paulo Sérgio segue o esperado pelo presidente. Caso contrário, novas trocas não estariam descartadas.

A escolha de Paulo Sérgio causou surpresa. O perfil do novo comandante é próximo ao do general Edson Pujol, que deixou o cargo essa semana após desentendimentos com o presidente que esperava uma atuação mais política. Militares não acreditam que o novo comandante terá atuação diferente.

A preferência do presidente era pelo general Marco Antônio Freire Gomes, atualmente no Comando Militar do Nordeste, mas ele tinha seis nomes à sua frente. Mas a escolha de Bolsonaro também surpreendeu porque o presidente tinha criticado internamente o general Paulo Sérgio por declarações que concedeu em uma entrevista no jornal Correio Braziliense em que chegou a dizer que se preparava para a possibilidade de uma terceira onda da covid-19.

No entanto, já estava programado para que os outros dois generais mais antigos, Décio Schons (Departamento de Ciência e Tecnologia) e César Nardi (Assuntos Estratégicos do Ministério da Defesa) fossem para a reserva essa semana.

A coluna apurou que, com a escolha do nome de Paulo Sérgio, Bolsonaro cedeu aos apelos, em especial, do general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), para manter o critério de antiguidade. Até o momento, Heleno não se manifestou publicamente sobre as mudanças.