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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bastidores: Mãe de Henry foi recebida na cadeia aos gritos de "vai morrer"

Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

11/04/2021 12h05

Há um clima de muita revolta entre as presas do Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, cidade da região metropolitana do Rio. Ao entrar no presídio, a professora Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, de 4 anos, caminhou alguns minutos até chegar em sua cela ouvindo outras presas gritarem em coro "uh, vai morrer". Ela ficará isolada em uma cela por 14 dias, mas é provável que permaneça sozinha por medidas de segurança.

Monique e o vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr Jairinho, seu companheiro, tiveram a prisão decretada na quinta-feira (8) pela juíza Elizabeth Louro, do 2º Tribunal do Júri. Eles são investigados pelo assassinato de Henry e foram presos pela acusação de estarem atrapalhando as investigações.

A coluna apurou que, desde que entrou na cela, a mãe de Henry passa os dias chorando e intercala momentos de gritos, o que gerou dúvidas nos funcionários da unidade sobre uma crise nervosa. Monique, porém, não solicitou atendimento médico. A situação é bastante diferente de como ela se apresentou na delegacia para prestar depoimento e, no dia da prisão, quando aparentava certa tranquilidade.

Além disso, a coluna apurou que, na sexta-feira, Monique recusou a visita de um advogado que pediu para encontrá-la. André França Barreto, que atua na defesa de Dr Jairinho e Monique, afirmou à coluna que não sabe detalhes sobre essa recusa e que ainda na sexta-feira uma advogada de seu escritório esteve na prisão para entregar remédios controlados de que Monique está fazendo uso. O defensor disse que irá visitá-la na tarde deste domingo.

O advogado do casal contou que esteve com Jairo ontem e que ele negou que tenha passado mal. "Ele me disse que não pediu atendimento nenhum. Ele está sem os medicamentos que precisa para dormir e isso causa certa ansiedade. Mas está bem. Disse que nem saiu da cela", afirmou Barreto. O defensor afirmou que, em função do fim de semana, ainda não conseguiu providenciar as autorizações para o envio dos medicamentos. Servidores, no entanto, garantem que ele pediu atendimento e foi visto por um médico da unidade.

A defesa entrou com um pedido de habeas corpus no sábado alegando que a prisão é desnecessária e alegando que há ilegalidades cometidas durante as investigações.