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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Mortes por covid-19 de pessoas com menos de 49 anos crescem sem vacinação

5.abr.2021 - Enterros noturnos no Cemitério de Vila Formosa, em São Paulo, devido ao número elevado de mortes pela covid - VINCENT BOSSON/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
5.abr.2021 - Enterros noturnos no Cemitério de Vila Formosa, em São Paulo, devido ao número elevado de mortes pela covid Imagem: VINCENT BOSSON/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

15/05/2021 04h00

A faixa etária de brasileiros que registrou o maior percentual de aumento de mortes em relação à média desde o início da pandemia foi a da população entre 40 e 49 anos. O crescimento foi de 57% no número de óbitos em abril na comparação com a média mensal registrada entre março de 2020 a março de 2021. Essa é uma faixa etária que ainda não entrou na vacinação de maneira majoritária.

Os dados são do Portal da Transparência do Registro Civil que atualiza em tempo real nascimentos, casamentos e óbitos registrados pelos Cartórios de Registro Civil do País. O portal é administrado pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil).

Segundo a pesquisa da Arpen, os dados indicam que os óbitos de pessoas mais jovens e que ainda não receberam imunização foram as únicas faixas etárias que registraram crescimento absoluto e percentual superior a 50% no número de mortes no mês de abril em relação à média no período da pandemia.

Foi verificado um aumento percentual de mais de 50% no número de óbitos por covid-19 de pessoas mais jovens, na faixa etária entre 30 e 59 anos e, um pouco menor, na faixa dos 60 aos 69 anos, contabilizados no mês de abril, o segundo pior desde o início da pandemia no País, conforme dados da Associação. Nos cartórios, a maior quantidade de registros de óbitos ocorreu em março deste ano.

Os dados diferem do compilado pelo Consórcio de Veículos de Imprensa, do qual o UOL faz parte, pois muitas das mortes por covid-19 só têm confirmação da doença dias após o falecimento e, consequentemente, após a emissão do registro de óbito, este acompanhado pela Arpen. Nas Secretarias de Saúde, abril foi o mês com mais mortes.

Os números absolutos de falecimentos da faixa etária de 40 a 49 anos também aumentaram em abril, passando de 7047 em março para 7611 no último mês, mesmo com a diminuição no total de mortes causadas pela doença em relação a março de 2021.

Todos os estados registraram aumento de óbitos na faixa entre 40 e 49 anos na comparação com a média desta idade desde o início da pandemia e 15 deles ficaram acima da média nacional.

O que mais registrou aumento foi o Rio Grande do Norte, com 154%. Depois vem Santa Catarina, aumento de 118%, Sergipe, crescimento de 101%, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, aumento de 94%. São Paulo e Rio de Janeiro, com 66%, e Distrito Federal, com 58%, também estiveram acima da média nacional.

Na sequência, a faixa etária que vai dos 30 aos 39 anos viu o aumento do número de óbitos crescer 56% em relação à média para esta faixa etária desde o início da pandemia. O crescimento também se deu nos números absolutos em relação a março, passando de 3.353 para 3.620. Outra faixa etária que registrou crescimento foi a de pessoas entre 50 e 59 anos, com óbitos aumentando 54% em relação à média desde o começo da pandemia, e passando de 12.070 em março para 13.409 em abril.

Ainda em crescimento, mas em patamares inferiores, a população entre 60 e 69 anos registrou aumento de 22% em relação à média desta idade no período, e um aumento de falecimentos menor em relação às demais idades, passando de 18.755 em março para 19.876 em abril. Nas demais faixas etárias, já vacinadas, o número de óbitos caiu em relação à média desde o início da pandemia, reduzindo 8% na faixa entre 70 e 79 anos, 52% entre 80 e 89 anos, e 65% na população entre 90 e 99 anos.