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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Presidente do TJ de MG é novo nome levado a Bolsonaro por vaga no STF

O presidente do TJ-MG, Gilson Lemes  - Divulgação/TJ-MG
O presidente do TJ-MG, Gilson Lemes Imagem: Divulgação/TJ-MG
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

31/05/2021 19h03

A vaga que vai abrir a partir de julho no Supremo Tribunal Federal, com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello, ganhou nos bastidores um novo candidato: o desembargador Gilson Soares Lemes, presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

O nome foi levado a Bolsonaro por interlocutores do presidente nos últimos meses. Questionado pela coluna sobre estar cotado, o desembargador disse que "isso é um sonho de todo magistrado de carreira, tenho 29 anos de magistratura e sempre estudei e me dediquei muito, buscando atender com efetividade aos jurisdicionados". Lemes afirmou ainda que "chegar ao STF é uma benção de Deus, que, neste momento, está nas mãos do nosso presidente Bolsonaro".

A coluna perguntou a Lemes se ele é evangélico ou católico e o desembargador respondeu: "Terrivelmente cristão. Conservador". O desembargador criou uma conta pessoal no Instagram há cerca de dois meses. A primeira postagem foi em 2 de abril deste ano. No perfil, foram postadas várias fotos de eventos com o desembargador e também algumas mensagens com citações a trechos da Bíblia.

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Eduardo - Divulgação/TJ-MG - Divulgação/TJ-MG
O desembargador Gilson Lemes e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)
Imagem: Divulgação/TJ-MG

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, esteve em Belo Horizonte, no dia 26 de fevereiro deste ano. O tribunal registrou fotos da visita e informou que os dois e um grupo de parlamentares discutiram "assuntos institucionais referentes aos Poderes Legislativo e Judiciário" durante um café da manhã.

Uma semana depois, no dia 2 de março, o desembargador Lemes se encontrou com o próprio presidente Jair Bolsonaro durante um almoço com um grupo de deputados mineiros e o governador de MG, Romeu Zema (Novo), no Palácio do Planalto.

O compromisso foi registrado na agenda do presidente apenas como um almoço com o deputado Fábio Ramalho (MDB-MG). Os demais nomes não foram incluídos na agenda. Na ocasião, os dois também foram fotografados juntos.

Gilson Soares Lemes é formado em Direito pela Universidade Federal de Uberlândia, em 1990. Depois, foi promotor de Justiça de 1992 até 1997, quando ingressou na magistratura. É desembargador desde 2016 e tornou-se presidente do TJ-MG em julho do ano passado.

No último fim de semana, ele participou do "Maio Laranja: para que crianças tenham vida em plenitude", evento promovido pelo Conselho de Pastores do Estado de Minas Gerais. No evento, estavam ainda a ministra da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, e o ministro André Mendonça, da Advocacia-Geral da União.

Até o momento, os candidatos mais cotados eram justamente Mendonça e o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins. No entanto, o ministro da AGU, perdeu força junto aos bolsonaristas nos últimos tempos. No círculo próximo do presidente, avalia-se que ele pode se distanciar demais após a nomeação.

Já Humberto Martins perdeu força por sua proximidade com o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O senador entrou em conflito com Bolsonaro. Como relator da CPI da pandemia, Calheiros se tornou um forte crítico do governo.