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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Carlos não participa de atos com Jair Bolsonaro para evitar reação do STF

7.set.2021 -O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chega para a cerimônia de hasteamento da bandeira em Brasília, para o 7 de Setembro, em um Rolls Royce dirigido pelo ex-piloto de Fórmula 1 Nelson Piquet - FÁTIMA MEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO
7.set.2021 -O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chega para a cerimônia de hasteamento da bandeira em Brasília, para o 7 de Setembro, em um Rolls Royce dirigido pelo ex-piloto de Fórmula 1 Nelson Piquet Imagem: FÁTIMA MEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

07/09/2021 16h28

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) não participou dos atos em Brasília e em São Paulo ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus irmãos, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Os dois estiveram com o presidente tanto na cerimônia de hasteamento da bandeira como nos atos na Esplanada dos Ministérios. Ainda seguiram com Bolsonaro para São Paulo. Carlos não apareceu em nenhum momento.

A coluna apurou que o motivo está relacionado ao fato das manifestações terem como foco um discurso inconstitucional contra o STF (Supremo Tribunal Federal). Além disso, o alvo preferencial de críticas dos bolsonaristas é o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito que apura a existência de uma organização criminosa digital que atenta contra a democracia. Há algum tempo, os interlocutores mais próximos de Bolsonaro temem que o "02" seja alvo de alguma medida do STF.

Nesta terça-feira, o discurso de Jair Bolsonaro no protesto na Esplanada dos Ministérios teve justamente um caráter intimidatório contra o ministro Alexandre de Moraes e o presidente da Corte, Luiz Fux.

"Não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica da região dos três poderes continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil. Ou o chefe desse poder (STF) enquadra o seu ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos", disse Bolsonaro, em referência os ministros do STF. Foi o ministro Alexandre de Moraes que determinou algumas prisões de apoiadores do presidente que fizeram ameaças ao STF.

Bolsonaristas também dizem que Carlos prefere ficar "estrategicamente" nos bastidores a estar na linha de frente.

A ausência de Carlos Bolsonaro também se segue à divulgação de que a 1ª Vara Especializada de Combate ao Crime do TJ-RJ (Tribunal de Justiça) autorizou a quebra de sigilos bancário e fiscal do vereador e de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher do presidente Jair Bolsonaro e mais 25 pessoas. A quebra foi autorizada no dia 24 de maio, mas foi noticiada apenas na semana passada.

O MP -RJ investiga Carlos e uma série de ex-assessores desde julho de 2019 por suspeitas de devolução de salários, a rachadinha, e a existência de nomeações de "funcionários fantasmas" — pessoas que não trabalhavam de fato como assessores parlamentares.