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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Com denúncia paralisada, Queiroz comemora aniversário com mãe de miliciano

Aniversário de Fabrício Queiroz  - Reprodução redes sociais
Aniversário de Fabrício Queiroz Imagem: Reprodução redes sociais
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

11/10/2021 07h00

No sábado (9), Fabrício Queiroz, subtenente da reserva da PM do Rio e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), ganhou uma festa surpresa de aniversário para comemorar seus 56 anos. Nas imagens do evento, a coluna verificou cerca de 40 convidados e, entre eles, Raimunda Veras Magalhães Nóbrega, a mãe do miliciano Adriano Nóbrega, ex-líder do Escritório do Crime, morto em fevereiro de 2020 na Bahia.

Além de Adriano, Queiroz e Raimunda possuem em comum a denúncia feita pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) no ano passado. O aniversário de Queiroz, inclusive, foi comemorado dias antes da data que marca um ano da apresentação do documento ao Órgão Especial do TJ-RJ. O documento foi entregue no dia 19 de outubro de 2020.

Queiroz e a mãe de Adriano foram denunciados pelos procuradores. A investigação do MP concluiu que Queiroz era um dos operadores de uma organização criminosa que existia dentro do antigo gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Raimunda foi apontada como integrante do esquema e ambos foram acusados por crimes como peculato e organização criminosa. Queiroz também responde por lavagem de dinheiro.

Expectativa por nova denúncia

No entanto, o documento ainda não foi analisado e a coluna apurou que a expectativa é que o MP-RJ apresente um novo pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Queiroz, Flávio e outros investigados. É provável que a nova quebra também seja usada para formular também uma nova denúncia, já que as informações financeiras foram essenciais para a investigação do caso e a primeira decisão que autorizou a quebra foi anulada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) em fevereiro deste ano por falta de fundamentação.

Em junho, o MP tinha pedido a exclusão de uma série de provas para que o TJ-RJ desse início à análise da denúncia. No entanto, em agosto, uma decisão do ministro João Otávio de Noronha, relator do caso no STJ, suspendeu a tramitação da denúncia contra o filho mais velho do presidente. O pedido foi feito pela defesa de Queiroz, que é liderada pelo advogado Paulo Emílio Catta Preta, e foi estendido para os outros 15 acusados pelo MP-RJ.

Na denúncia, prestes a completar um ano, o MP apontou Flávio como responsável por um desvio de pelo menos R$ 6 milhões dos cofres públicos. Desse valor, mais de R$ 2 milhões passaram pela conta bancária de Queiroz e são oriundos de repasses feitos por outros ex-assessores do filho mais velho do presidente. Raimunda estava inclusiva no rol de ex-funcionários que repassavam o salário. Além disso, ela foi apontada como funcionária fantasma.

Depois da análise das quebras e outras provas, Queiroz foi preso na casa do advogado Frederick Wassef, em junho de 2020, na cidade de Atibaia (SP). Wassef ainda advoga para o presidente Jair Bolsonaro e era o titular do caso de Flávio, na ocasião.

Em seguida, o ex-assessor e a mulher, Márcia Aguiar, ficaram oito meses em prisão domiciliar. Queiroz ainda ficou um mês preso em Bangu. Já sua mulher passou um mês foragida, até que a defesa obteve um habeas corpus. Queiroz foi colocado em liberdade em março deste ano também por uma decisão da 5ª Turma do STJ.

Desde então ele é visto circulando normalmente pelo Rio de Janeiro. Participou das manifestações antidemocráticas do 7 de setembro, tentou emplacar uma filha no governo do Rio e também fez uma outra festa, dias atrás, quando Márcia Aguiar, sua mulher, completou 50 anos. Ela também foi uma das 17 pessoas denunciadas no ano passado.