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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Após pesquisas, Tereza Cristina ganha força para vice de Bolsonaro

Ministra da Agricultura, Tereza Cristina - Antonio Araujo/Ministério da Agricultura
Ministra da Agricultura, Tereza Cristina Imagem: Antonio Araujo/Ministério da Agricultura
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

15/06/2022 04h00

O nome de Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, voltou a ganhar força nos últimos dias para ser a vice na chapa de Jair Bolsonaro (PL-RJ) que disputará a reeleição. Até o momento, o principal cotado é Walter Braga Netto (PL), general da reserva e ex-ministro da Defesa. No entanto, líderes do PP, PL e Republicanos estão defendendo incisivamente que o presidente opte pela ex- ministra para tentar melhorar sua proximidade junto às eleitoras e angariar votos femininos.

As últimas pesquisas de intenção de voto que mostraram uma estagnação nos números do presidente Jair Bolsonaro e a possibilidade de o ex-presidente Lula vencer, inclusive, no primeiro turno fizeram com o que centrão voltasse a insistir com Bolsonaro sobre a opção de vice. Na última pesquisa Datafolha, Lula teve 54% dos votos válidos e Bolsonaro 30%. Entre as mulheres, o petista vence de 49% a 23%.

Na terça-feira (14), Bolsonaro falou a jornalistas no Palácio do Planalto sobre a escolha de seu vice. Ele disse que Braga Netto é "um nome que é palatável, é um nome de consenso, que sabe conversar com o Parlamento. É um colega meu da Academia Militar, um ano mais novo que eu. Ele pode ser o vice". No entanto, o presidente também acrescentou: "alguns querem a Tereza Cristina, um excelente nome também. Mas isso vai ser definido mais tarde". Até o momento, Tereza Cristina faz pré-campanha por uma vaga no Senado por Mato Grosso do Sul.

Desde fevereiro, porém, a escolha de Braga Netto já era dada como certa nos bastidores mesmo que ainda não tenha sido anunciada oficialmente. A decisão de Bolsonaro, junto ao seu círculo mais próximo, foi alimentada por uma teoria que soa quase como conspiração. Na visão de Bolsonaro, a escolha de um vice que integrasse os partidos do centrão fazia com que o presidente temesse sofrer uma tentativa de golpe seis meses depois em um eventual novo mandato.

A última pesquisa Datafolha e as demais que saíram nos últimos dias deixaram os bastidores da campanha de Bolsonaro em alerta. A ala política avalia que o quadro é muito difícil e está discutindo medidas para tentar melhorar os números. Um dos pontos discutidos é a agenda do presidente.

Também existem conflitos dentro da família Bolsonaro. O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) critica as ações da ala política e as inserções na televisão e defende que o presidente continue falando para sua base junto às redes sociais. Já a ala política, que conta com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), coordenador da campanha, acredita que é necessário ampliar o discurso e a aproximação de Bolsonaro com diferentes faixas do eleitorado.