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Não é Biden que está ganhando, mas Trump que está perdendo para o vírus

O presidente dos EUA, Donald Trump, e seu adversário na corrida de 2020 pela Casa Branca, Joe Biden - Saul Loeb e Ronda Churchill/AFP
O presidente dos EUA, Donald Trump, e seu adversário na corrida de 2020 pela Casa Branca, Joe Biden Imagem: Saul Loeb e Ronda Churchill/AFP
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

01/08/2020 23h31

Não é Joe Biden que está ganhando, mas Donald Trump que está perdendo de lavada para o coronavírus.

Pesquisa da rede de TV ABC mostra que o presidente americano tem a condenação até da maioria do eleitorado branco quando se trata de avaliar o seu desempenho contra a covid-19. Dos entrevistados brancos, 55% desaprovam a forma como Trump lida com o vírus. Ele ainda consegue o surpreendente suporte de 45%.

Mas quando a pesquisa indaga a avaliação dos eleitores negros e de origem latina (hispânicos nos EUA), a vida de Trump piora ainda mais. Para 92% dos negros, Trump merece desaprovação. Apenas 7% aprovam o modo como o republicano responde à pandemia. Entre os eleitores hispânicos, 72% desaprovam e 28% aprovam o trabalho de Trump.

Num levantamento recente feito pelo jornal "Washington Post" e também pela TV ABC, 58% consideram o democrata Joe Biden mais confiável para lidar com a pandemia. Apenas 30% pensam assim a respeito de Trump.

Na noite de sábado, a rede de TV CNN destacou uma pesquisa na Geórgia, Estado no qual os democratas tiveram a última vitória em eleição presidencial no ano de 1992. Reduto dos republicanos nas últimas seis disputas pela Casa Branca, a Geórgia está hoje rachada. Biden e Trump têm exatamente 47% de intenção de voto no estado.

Se numa fortaleza republicana as coisas andam apertadas para Trump, o cenário é desesperador para o presidente no resto de um país em que a pandemia cresce. De acordo com a CNN, Biden teria 353 votos no Colégio Eleitoral se a eleição fosse hoje. Trump conseguiria apenas 185 votos.

Não basta ganhar no voto popular nos Estados Unidos. É preciso vencer no Colégio Eleitoral, no qual um grupo de cerca de dez estados define a parada. Dos 537 delegados, é preciso reunir maioria absoluta (270). Biden está sobrando.

Em 2016, uma leitura do resultado eleitoral foi que Hillary Clinton perdeu. Não foi Trump que ganhou. Agora, a mesma avaliação pode ser feita em benefício de Biden, que está jogando meio parado, deixando a eleição ser um referendo sobre a conduta de Trump na pandemia.

Como diria Drummond, no meio do caminho tinha um vírus, tinha um vírus no meio do caminho.