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Kennedy Alencar

Pandemia aumenta fome nos EUA, problema que atinge 50 milhões de pessoas

Voluntários preparam doação de alimentos para entrega no estado do Wisconsin, Estados Unidos - REUTERS/Gabriela Bhaskar
Voluntários preparam doação de alimentos para entrega no estado do Wisconsin, Estados Unidos Imagem: REUTERS/Gabriela Bhaskar
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

23/11/2020 15h51

Resumo da notícia

  • Pesquisa aponta que 1/6 da população dos EUA está passando fome em 2020
  • Destes cerca de 50 milhões de pessoas na miséria, 17 milhões são crianças
  • Quase metade dos americanos afirma ter temido ficar sem comida na pandemia
  • No Brasil, cerca de 100 milhões de pessoas vivem situação de fome, afirma ONG

Quase um sexto dos 330 milhões de americanos está sofrendo insegurança alimentar. Nos Estados Unidos (EUA), há 50 milhões de pessoas nessa condição. Desse total, 17 milhões são crianças.

A insegurança alimentar cresceu 50% com a pandemia de coronavírus. Antes da covid-19, esse problema atingia pouco mais de 10% da população. Havia 35 milhões de pessoas (11 milhões de crianças) sem acesso a uma alimentação diária necessária em termos de qualidade e quantidade.

O agravamento da pandemia de coronavírus e o bloqueio do presidente Donald Trump no Congresso a um novo pacote de ajuda econômica contribuíram para aumentar a insegurança alimentar nos EUA. Estados como Califórnia, Texas e Wisconsin têm filas enormes de pessoas nas ruas ou em seus carros para buscar comida.

Segundo uma pesquisa divulgada na semana passada pelo instituto OnePoll, 40% dos americanos disseram que experimentaram na pandemia algum tipo de insegurança alimentar pela primeira vez em suas vidas. Nesse percentual, estão incluídas pessoas que vivem uma rotina de falta de alimentos necessários para viver de forma minimamente adequada, mas também quem passou algum tipo de sufoco, como comprar menos comida ou se preocupar se poderia bancar a alimentação sua e da família.

Sem um novo pacote de ajuda econômica, os EUA usam seus programas tradicionais de segurança alimentar, como aqueles que preveem assistência nutricional suplementar de modo geral, ou ações mais focadas em mulheres e crianças.

Bancos de alimentos estão sendo reforçados em várias cidades americanas, como Los Angeles na Califórnia, Dallas no Texas e Madison no Wisconsin. A demanda por alimentos tem estressado os estoques desses bancos. Na imprensa americana, há cenas que mostram filas de pessoas dando volta em quarteirões e também carros enfileirados em estacionamentos. Todos em busca de comida.

No Brasil, não há dados oficiais sobre a insegurança alimentar em 2020. Mas a Ação Cidadania estima que quase a metade dos 210 milhões de brasileiros esteja vivendo algum tipo de insegurança alimentar neste ano.

Daniel Souza, filho do sociólgo Herbert de Souza (Betinho) e presidente do conselho da ONG Ação Cidadania, diz que a atual situação do Brasil é preocupante: "Se agora a gente já tem mais de 50 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, que já são números assustadores, o fim do auxílio emergencial vai levar o país para um nível de miséria e pobreza que a gente nunca viu. (...) Nós só saberemos os reais números de 2020 daqui dois ou três anos, mas hoje nós já ultrapassamos a marca de 100 milhões de brasileiros com algum nível de insegurança alimentar".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.