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Kennedy Alencar

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Criar CPI já pode interromper sabotagem de Bolsonaro à saúde de brasileiros

Jair Bolsonaro e Rodrigo Pacheco, presidente do Senado - Mateus Bonomi/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
Jair Bolsonaro e Rodrigo Pacheco, presidente do Senado Imagem: Mateus Bonomi/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

13/04/2021 19h16

A hipocrisia do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) fez escola, mas não deu certo. A CPI da Pandemia vai saindo aos poucos, apesar da resistência do presidente Jair Bolsonaro e de senadores governistas.

Na semana passada, o país soube que Pacheco era contra instalar a CPI da Pandemia porque estava muito preocupado com o risco à saúde dos senadores. Segundo ele, não seria prudente fazer uma investigação com a presença dos senadores na Comissão Parlamentar de Inquérito.

Nesta terça, foi a vez de senadores governistas ecoarem o argumento de Pacheco. O líder do governo no Senado, Eduardo Gomes (MDB-TO), pregou a vacinação dos colegas para começar os trabalhos.

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) estava preocupado com a saúde dos jornalistas e dizia que não seria possível fazer acareações ou ouvir testemunhas via internet. Com bola de cristal, o senador Luiz Carmo (MDB-GO), sugeriu começar a CPI só em outubro, quando a situação sanitária do país estará melhor na avaliação dele.

Foi irônico ver aliados do negacionismo do governo tão preocupados com o isolamento social na CPI. Se tivessem o mesmo interesse pela saúde pública, teriam impedido Bolsonaro de criar uma tragédia sanitária no Brasil. Apesar do choro, Pacheco leu o requerimento de criação. A CPI vai caminhando aos trancos e barrancos, o que é uma boa notícia.

Nesta quarta, o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) deverá analisar a decisão monocrática de Roberto Barroso que determinou a instalação da CPI. No Supremo, corre a ideia de endossar a decisão de Barroso com a ressalva de recomendar o início dos trabalhos da CPI após a pandemia.

Ora, STF e Congresso trabalham remotamente. Em tempos de pandemia, essa tem sido a solução em todo o planeta. Fazer uma CPI da Pandemia depois da pandemia? É quase tudo o que o presidente Jair Bolsonaro quer, porque sabe que uma investigação séria o responsabilizará.

Mais gente adoeceu e adoece, morreu e morre no Brasil por conta da negligência homicida do presidente da República, que dinamita medidas de mitigação, desprezou a vacina até ficar insustentável esse negacionismo e dá corda a uma estratégia de imunidade de rebanho irresponsável.

Se ministros do STF se associarem à hipocrisia de Rodrigo Pacheco, eles se tornarão cúmplices do genocida do mesmo jeito que o omisso presidente do Senado se tornou. É preciso enfrentar Bolsonaro com um remédio que ele entende: o medo da Justiça. Criar uma CPI é uma forma de pressionar o presidente da República a interromper a sabotagem assassina e cotidiana à saúde dos brasileiros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL