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Leonardo Sakamoto


Bolsonaro precisa ser transparente e não esconder "exames de rotina"

Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Justiça, Sergio Moro, durante cerimônia no Palácio do Planalto - Adriano Machado
Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Justiça, Sergio Moro, durante cerimônia no Palácio do Planalto Imagem: Adriano Machado
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.

Colunista do UOL

30/01/2020 22h44

Transparência não é concessão que governantes fazem a cidadãos, mas uma obrigação. A condição de saúde de um presidente da República não é uma questão de foro íntimo, mas de interesse público, pois situações que os incapacitam permanentemente ou momentaneamente causam impactos na vida das pessoas.

Uma ida programada ao hospital, portanto, deve estar presente na agenda pública do mandatário, tal como uma reunião política - com a descrição de horário, local e tipo de atendimento. E uma ida emergencial deve ser divulgada imediatamente à sociedade. Nem que seja através de um tuíte.

Não foi o que aconteceu, contudo, com Jair Bolsonaro, que passou algumas horas no Hospital das Forças Armadas nesta quinta (30). Segundo apuração de Hanrrikson de Andrade, Bruno Aragaki e Rodolfo Vicentini, do UOL, o presidente tinha uma avaliação de rotina programada. Então, por que isso não estava na agenda da Presidência da República? Realizou-se algum procedimento no abdômen na área onde ele foi atacado? Ele havia dito que estava com uma hérnia abdominal. Foi corrigida?

As consequências da abominável facada que ele levou, no dia 6 de setembro de 2018, deixaram sequelas que deverão que ser acompanhadas por um longo tempo, então é natural idas regulares ao hospital. Espera-se, contudo, que o governo aja de forma mais transparente, avisando com antecedência sobre exames de rotina e informando o estado da saúde do presidente. E, em casos de atendimento de emergência, o diagnóstico, os procedimentos adotados e o prognóstico.

O que está aqui sendo lembrado não é novidade, uma vez que há políticos com mandatos públicos que informam a população sobre sua ida a hospitais para tratamentos, como quimioterapia, ou internações por conta própria ou através de seus médicos.

Ao mesmo tempo que desejo saúde a ele (é possível discordar de uma pessoa sem querer o seu sofrimento), desejo também que seu governo seja mais transparente. Afinal, ele não é o presidente de uma família e seus amigos, apesar de - não raro - agir como se fosse, mas de um país.

Leonardo Sakamoto