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Leonardo Sakamoto


"O líder mais ineficaz do mundo diante do coronavírus é Bolsonaro"

Máscara cobre os olhos de Bolsonaro em coletiva sobre coronavírus - Reprodução
Máscara cobre os olhos de Bolsonaro em coletiva sobre coronavírus Imagem: Reprodução
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.

Colunista do UOL

22/03/2020 18h44

"Há muita concorrência, mas o líder mais ineficaz do mundo quanto à resposta ao coronavírus é, neste momento, o presidente brasileiro Bolsonaro. Neste fim de semana, ele está detonando os governadores que tomaram medidas de bloqueio. Danificará seriamente seu mandato."

A declaração não vem de um parlamentar da oposição ou de uma liderança de movimento social, mas de Ian Bremmer, fundador e presidente do Eurasia Group, uma das mais importantes consultorias do mundo sobre risco político. Com escritórios em Nova York, Washington DC, Londres, Tóquio, São Francisco, Singapura, Brasília e São Paulo, suas pesquisas e análises são usadas pelos mercados para definir investimentos. Ou seja, Bolsonaro é visto como um risco para quem aconselha os donos do dinheiro.

Neste domingo, a crítica que fez a Jair Bolsonaro em sua conta no Twitter levou o termo "Eurasia" a ser um dos assuntos mais comentados na rede social.

Ele também postou um link sobre os recentes protestos no Brasil e comentou: "como protestar enquanto segue as regras de distanciamento social? Vá até a janela e bata alto em uma panela - como milhões de brasileiros fizeram para desabafar a frustração pela maneira ruim com a qual o presidente Bolsonaro está lidando com a crise causada pelo Covid-19".

Fãs do presidente da República passaram a atacar violentamente o analista, acusando-o de estar sendo pago para fazer essa crítica, chamando as análises da Eurasia Groups de nulas e sem credibilidade e afirmando que os governadores que ele cita são ligados a comunistas. Ressalte-se que os dois principais governadores que estão polarizando com Bolsonaro são João Doria Jr. (São Paulo) e Wilson Witzel (Rio de Janeiro), críticos contumazes do comunismo.

Bremmer não criticou apenas o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro, mas também a gestão de esquerda do presidente Andrés Manuel López Obrador. "O Lopez Obrador, do México, também está lá em cima. Em negação completa sobre o coronavírus. Ainda falando de austeridade, nenhuma ação do governo", tuitou.

Doria e Witzel têm criticado a demora do presidente em elaborar e implementar um plano efetivo para o combate à pandemia. Enquanto ambos têm agido pela interrupção de serviços que não sejam essenciais, Bolsonaro defende que a atividade econômica seja mantida.

Diante disso, o presidente editou, na sexta (20), medida provisória estabelecendo a competência da União para fechar aeroportos e rodovias e não dos estados - Witzel havia dito, no dia anterior, que suspenderia voos vindos de locais com ocorrência de Covid-19. No sábado, Doria anunciou uma quarentena de 15 dias a partir de terça, com o fechamento de estabelecimentos comerciais não-essenciais.

Bolsonaro chamou o governador paulista de "lunático", criticando o que considera uma antecipação do debate eleitoral de 2022. Ainda afirmou que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que vem sendo elogiado pela atuação diante da crise, teria exagerado nas medidas contra o coronavírus e não deveria ter falado sobre um possível "colapso" do sistema de saúde no pico da contaminação. Doria respondeu afirmando que falta liderança ao país e Witzel disse que o governo federal "anda em passos de tartaruga".

Leonardo Sakamoto