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Leonardo Sakamoto

MTST bloqueia vias em 8 estados por auxílio emergencial de R$ 600 e moradia

MTST queima boneco representando Jair Bolsonaro em protesto por auxílio emergencial de R$ 600 - Comunicação/MTST
MTST queima boneco representando Jair Bolsonaro em protesto por auxílio emergencial de R$ 600 Imagem: Comunicação/MTST
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

07/05/2021 08h24Atualizada em 07/05/2021 11h45

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) promoveram bloqueios em avenidas e rodovias de oito estados na manhã desta sexta (7). Os manifestantes reivindicaram o aumento do auxílio emergencial para R$ 600, a retomada dos investimentos em moradia popular que foram cortados no orçamento deste ano e a suspensão imediata dos despejos durante a pandemia.

Os bloqueios foram realizados, segundo o MTST, em São Paulo (na avenida Tiradentes, na ponte Eusébio Matoso e na ligação da rodovia Anchieta com avenida das Juntas Provisórias), Porto Alegre (avenida Sertório), Aracaju (avenida Heráclito Rollemberg), Maceió (avenida Menino Marcelo), Recife (BR-101), Diamantina (no centro), Goiânia (cruzamento da avenida Anhanguera com a avenida Goiás) e em Niterói (avenida Amaral Peixoto). Às 11h30, os atos haviam sido encerrados.

"Ninguém aguenta mais. Chegou o limite. Tem gente desempregada passando fome porque reduziram o auxílio emergencial. Tem gente sendo despejada por não conseguir pagar o aluguel", afirmou à coluna Guilherme Boulos, coordenador nacional do movimento.

Após ter sido interrompido no dia 31 de dezembro, o benefício foi retomado 96 dias depois, em 6 de abril, mas com valores de R$ 150, R$ 250 ou R$ 375 por domicílio. No primeiro semestre do ano passado, o auxílio começou com R$ 600/R$ 1200 por família, sendo reduzido para R$ 300/R$ 600 no segundo semestre. O número de mortos por covid-19 neste ano já é mais que o total de todo o ano passado.

Débora Lima, coordenadora estadual do MTST em São Paulo, que estava no bloqueio da avenida Tiradentes, no centro da capital, reclama que as pessoas estão passando fome nas ocupações e comunidades atendidas pelo movimento.

"Esse novo auxílio pago pelo governo não dá nem para comprar uma cesta básica. A inflação está lá em cima, com o arroz, o feijão, o óleo de soja muito caros. O brasileiro não come mais mistura, nem consegue botijão de gás - tem gente que voltou a cozinhar a lenha", diz. "Estamos nessa manifestação, que é pacífica, por que não dá mais para ficar parado."

Ela também diz que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cortou 98% do orçamento destinado à moradia dos mais pobres no país. "Isso é inaceitável e é também por isso que o MTST foi às ruas em oito estados hoje."

O governo federal quase zerou os recursos do orçamento para as obras de moradia voltadas a famílias de baixa renda no programa Minha Casa, Minha Vida que estão em andamento. Do R$ 1,5 bilhão previsto, sobraram R$ 27 milhões. Uma redução de mais de 98%. O corte atinge a antiga faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida, com residências subsidiadas, para famílias com orçamento de até R$ 1.800 mensais.

O programa foi reorganizado pelo atual governo e chamado de "Casa Verde e Amarela". A mudança não é um simples rebatismo, pois abandona o subsídio para reduzir mensalidades das famílias pobres e focando-se no financiamento habitacional. Com isso, devem ser afetadas as obras em andamento, uma vez que não há mais contratação de novas moradias nessa faixa. Entidades que representam construtoras também criticam o corte.

De acordo com os organizadores, os manifestantes são membros do movimento e usaram máscaras, sendo orientados pela brigada de saúde do movimento, composta de profissionais de saúde voluntários, a manter o distanciamento social e utilizar álcool gel.

Guilherme Boulos afirma que as manifestações desta sexta são o início de um processo de retomada de luta do movimento social.