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Leonardo Sakamoto

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Atrás de Moro em pesquisa, Alvaro Dias vai de padrinho a 'candidato B'

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Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

27/06/2022 16h13Atualizada em 28/06/2022 10h36

O senador Alvaro Dias (Podemos-PR), vigoroso defensor da operação Lava Jato, foi um dos maiores entusiastas para que o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro disputasse um cargo público. Agora, Dias pode ser substituído por Moro no Senado Federal.

Álvaro, que deve tentar a reeleição em um pleito com apenas uma cadeira em jogo, tem 23% de intenção de voto, segundo a pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta segunda (27). Enquanto isso, Sergio desponta com 30%.

Comemorando os números, o ex-ministro de Jair Bolsonaro compartilhou uma imagem, no Twitter, em que ele aparece à frente do "candidato B". Em pouco tempo, Dias passou de padrinho político a "candidato B".

Moro se filiou com pompa ao Podemos no dia 10 de novembro do ano passado. Depois de mais de quatro meses de pré-campanha pelo partido, migrou para o União Brasil, em 31 de março, transferindo também seu domicílio eleitoral para São Paulo. O movimento deixou muita gente no Podemos se sentindo usada.

A nova agremiação não garantiu a Moro legenda para concorrer à Presidência e nem ao governo do Estado. Além disso, ele dificilmente se elegeria ao Senado caso Datena continue na disputa. Sobraria a ele disputar para deputado federal - se a Justiça não tivesse considerado que a transferência de domicílio eleitoral foi irregular.

Diante disso, ou sairia para síndico de prédio ou voltava para o Paraná.

Rosângela Moro, esposa do ex-juiz, e que pode sair para deputada federal em São Paulo, criticou Álvaro Dias no Twitter, no dia 6 deste mês: "Não se enganem. Não basta o candidato querer o partido tem que dar a legenda. E vocês acham mesmo que AD largaria o osso? Até o irmão dele ele já ferrou... e mais: Deltan Dallagnol tem luz própria e já está eleito!"

Em entrevista ao UOL News, em abril deste ano, Álvaro Dias havia afirmado que disse à Moro que se a candidatura à Presidência desse errado, ele ofereceria a sua vaga para concorrer ao Senado pelo Podemos no Paraná.

"Eu ofereci o meu lugar a ele. Ele não precisou me pedir isso, Moro nunca exigiu. Eu disse que se tudo desse errado, meu lugar estaria à disposição", afirmou.

Na mesma entrevista, Dias também fez uma análise que é compartilhada por nove entre cada dez analistas políticos: "Talvez esse desgaste revele a inaptidão dele [Moro] na atividade política. É um desgaste irreversível, talvez. Nós não podemos deixar de reconhecer que as manobras efetuadas não tiveram a afinidade que a política exige".

A disputa direta com quem o ajudou a entrar na política partidária pode estar indicando que Moro, finalmente, está ganhando a "afinidade que a política exige".