Madeleine Lacsko

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Opinião

Um adeus, pero no mucho

Este é o último artigo da minha coluna aqui no UOL. Durante 13 meses tive o prazer de estar aqui com vocês diariamente dividindo minha visão e análise sobre fatos da atualidade.

Foi uma experiência interessante e apaixonante, pela qual agradeço à chefia que me convidou e também aos colegas, principalmente aqueles dos bastidores, tão gentis e tão empenhados em fazer com que a gente finalmente domine todos os sistemas de publicação dessa era digital. Por trás de cada trabalho entregue a vocês tem uma equipe gentil, excelente e paciente, comprometida com o resultado final.

Uma coluna no maior portal da América Latina acaba virando, muitas vezes, algo diferente de uma coluna. Foi muito interessante ver como prints com o título e a minha fotografia despertam paixões e toda uma onda de comentários que não guardam nenhuma relação com o texto em si. A projeção das pessoas sobre a foto e a manchete tem vida própria nessa era de desconexão da realidade e apoteose da superficialidade.

Exatamente por isso, agradeço demais a quem leu as colunas durante todo esse tempo. E foi muita gente. Estou agora no Rio de Janeiro, cidade que eu amo. Fui reconhecida na praia de Copacabana pela coluna do UOL. O senhor Luiz, que vende sorvetes, e o senhor Baiano, dono de uma barraca de flores, sabiam o tema sobre o qual eu havia escrito no dia anterior ao que me encontraram. Quiseram dividir comigo as opiniões deles. São esses encontros que fazem tudo valer a pena.

Também quero agradecer aos amigos e apoiadores, sobretudo aos antigos e fiéis, que me acompanham há anos em todos os lugares. Eles sabem o que eu penso, muitas vezes discordam e seguimos juntos porque honestidade intelectual é muito mais importante que obediência bovina.

Tem sido assim também com os novos amigos e apoiadores que encontrei justamente pela oportunidade deste espaço, desta coluna. Nos comentários, eu vejo diariamente quantos são absolutamente fiéis e dedicam seu tempo a debater algum tema que recortei do dia e propus aqui. Só tenho que agradecer.

Atravessei aqui, nesta coluna, a cobertura das eleições mais interessantes e agitadas da minha carreira. A primeira foi a de 1996. Temos uma sociedade dividida, em processo de polarização tóxica, no auge dos populismos e onde os fatos às vezes pouco importam. Muita gente tem vivido num mundo imaginário, o que é assustador mas também parte dessa realidade que tentamos compreender.

Para mim, foi um período extremamente desafiador. Sempre cobri eleições como repórter, esta foi a primeira vez como colunista. A diferença está em relatar os fatos e fazer análises a partir deles, colocando ali a minha perspectiva pessoal.

Fiz questão de rever o que escrevi. Felizmente, não errei as previsões. Um alívio. Há gente que fica feliz com previsões se concorda com elas ou muito irritada se discorda delas. Para mim, o importante é a tentativa honesta de tentar entender por onde vamos e, se possível, acertar o desfecho. Isso continuarei fazendo.

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Eu disse que é um adeus, "pero no mucho" porque tenho a alegria de continuar com vocês aqui no UOL. Não nesse espaço diário escrito, mas duas vezes por semana no UOL News, em vídeo. Lá, terei o prazer de comentar os fatos mais quentes do dia junto com meus colegas. Espero, como sempre, contar com a audiência de todos vocês.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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